Donald Trump recebe Mitt Romney

Bedminster, Estados Unidos, 19 Nov 2016 (AFP) - Em seu primeiro fim de semana fora de Nova York desde sua eleição à presidência americana, Donald Trump recebeu neste sábado em um de seus campos de golfe o ex-candidato presidencial Mitt Romney, que, segundo especulações, poderia dirigir o Departamento de Estado.

"Tivemos uma grande conversa sobre os vários palcos mundiais onde os Estados Unidos têm interesses significativos", declarou Mitt Romney após o encontro de uma hora e 25 minutos.

"Nós trocamos pontos de vista sobre esses assuntos, uma discussão muito completa e em profundidade durante o tempo que compartilhamos. Eu aprecio a oportunidade de conversar com o presidente eleito, e espero com impaciência a próxima administração", declarou Mitt Romney, na breve declaração à imprensa.

"Tudo ocorreu muito bem", ressaltou Trump.

O sucessor de Barack Obama nomeou na sexta-feira três membros de sua equipe (Justiça, CIA e Conselheiro de Segurança Nacional), mas ainda restam quinze posições a serem preenchidas para formar o seu gabinete de governo, com destaque para as pastas de Departamento de Estado e Defesa.

De acordo com um porta-voz, algumas nomeações serão anunciadas neste sábado.

O milionário chegou na sexta-feira à noite ao campo de golfe Trump Bedminster, em Nova Jersey, uma hora e meia de carro de sua casa em Manhattan, onde permanecerá até domingo, longe dos olhos e dos manifestantes que cercam a Trump Tower na quinta avenida em Nova York.

O presidente eleito não aparecia em público desde terça-feira, depois de um jantar em Nova York. Não voltou a dar entrevista após a transmitida pela CBS no domingo passado e suas declarações foram feitas apenas através do seu meio favorito: Twitter.

Através da rede social, Trump reagiu oficialmente neste sábado de manhã ao acordo extrajudicial concluído na noite passada com ex-alunos de seu programa de formação "Trump University", que reivindicavam indenizações por promessas fraudulentas.

Os reclamantes receberão 25 milhões de dólares em troca do abandono das acusações judiciais.

"Resolvi extrajudicialmente as reivindicações judiciais contra Trump University com uma pequena fracção das potenciais indenizações porque, como presidente, eu deverei cuidar do país", escreveu Trump.

"O único inconveniente de ganhar a presidência é que eu não tive tempo para continuar e vencer o longo julgamento da U. Trump. Que pena!"

O 45º presidente dos Estados Unidos, que toma posse em 20 de janeiro, também reagiu com tuítes às vaias ao seu vice-presidente Mike Pence na sexta-feira à noite, quando assistiu ao musical na Broadway "Hamilton".

"Apresentem suas desculpas!", lançou Trump.

Chefe da diplomacia?O campo de golfe de Bedminster é um dos lugares favoritos do milionário. Foi neste local onde se preparou para debates contra Hillary Clinton e onde gosta de passar os fins de semana.

Além de Mitt Romney, com quem se reunirá às 13H00 (16H00 de Brasília), também conversará neste sábado com o general da reserva James Mattis, potencial candidato para a Defesa, Michelle Rhee, que dirigiu as escolas públicas de Washington entre 2007 e 2010, e vários empresários, incluindo Lew Eisenberg, Andrew Puzder, Betsy Devos e Todd Ricketts, dono do time de beisebol Chicago Cubs.

Mas Mitt Romney, candidato republicano à Casa Branca em 2012, lidera, sem dúvida, as atenções. Sua nomeação na futura administração Trump como, por exemplo, secretário de Estado, seria uma boa jogada e poderia fornecer segurança aos aliados dos Estados Unidos.

Mitt Romney, de 69 anos, distanciou-se da política americana desde que perdeu para Barack Obama em 2012, mas havia criticado duramente em março Donald Trump nas primárias, por sua linguagem e ideias.

"Donald Trump é um charlatão, uma fraude. Suas promessas não valem mais do que um diploma da Universidade Trump. Ele trata os americanos como pombas", disse em um discurso contundente.

Os dois homens não poderiam ser mais diferentes em seus estilos. Romney é um patrício mórmon com uma linguagem polida e bastante rígida quando se expressa em público. Também pertence ao establishment republicano que ridiculariza Trump.

Se for nomeado secretário de Estado, o posto mais importante na ordem protocolar logo após o vice-presidente, o ex-candidato à Casa Branca poderia apoiar-se em sua forte reputação global, embora lhe falte experiência em diplomacia.

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