Angela Merkel disputará 4º mandato para defender os valores democráticos

Berlim, 20 Nov 2016 (AFP) - Angela Merkel oficializou neste domingo à noite sua candidatura a um quarto mandato de chanceler em 2017 para "defender" os "valores" democráticos, prevendo que as eleições no próximo ano na Alemanha serão "difíceis".

"O combate em defesa dos nossos valores" democráticos e de liberdade, bem como a defesa "do nosso modo de vida", serão um dos elementos-chaves de seu programa, declarou à imprensa a chanceler à margem de uma reunião do seu partido da União Democrata Cristã (CDU) em Berlim.

"Estou pronta para apresentar mais uma vez a minha candidatura", garantiu.

Ela considerou, no entanto, que a próxima eleição legislativa alemã, prevista para setembro ou outubro, será "a mais difícil já realizada, pelo menos desde a reunificação alemã", em 1990, devido à polarização da sociedade e das vitórias recentes da direita populista anti-refugiados da Alternativa para a Alemanha.

Esta formação experimentou um progresso gritante em 2016 nas eleições regionais em razão dos temores provocados pela chegada em território alemão de um milhão de refugiados.

Entre os valores que defende, Merkel citou, além da democracia, "a liberdade e o Estado de direito". "É o que me guia", disse ela, considerando que as "disputas" eleitorais fazem parte do processo democrático normal, mas que não devem ser transformadas em "ódio".

Merkel também ressaltou que a sua candidatura iria intervir num contexto global agitado, "com uma situação internacional que deve ser reajustada após as eleições americanas", marcadas pela vitória de Donald Trump.

"Na Europa e no plano internacional, devemos defender nossos valores e interesses, bem como, falando francamente, o nosso modo de vida", disse ela.

"Anti-Trump"A chanceler também considerou "ser grotesco e absurdo" considerá-la a última defensora do "mundo livre" e dos valores democráticos contra a ascensão do populismo, exemplificado pelo sucesso de Donald Trump nos Estados Unidos ou pela vitória dos partidários do Brexit na Grã-Bretanha.

Essa tarefa não pode ser concluída por uma única pessoa, "o sucesso só pode ser alcançado por vários", garantiu a chanceler.

"Angela Merkel é a resposta ao populismo desta era, é quase um anti-Trump", declarou um dos membros do seu partido, Stanislaw Tillich.

Após a vitória do bilionário republicano nos Estados Unidos, Merkel advertiu claramente Trump sobre a importância do respeito aos valores democráticos.

Aos 62 anos de idade, Merkel está no poder na Alemanha desde 2005. Seu séquito dentro da CDU já havia indicado no decorrer do dia que ela disputaria um quarto mandato.

Dadas as pesquisas de opinião, ela é de longe a melhor colocada para retornar à chancelaria, no final de 2017, como parte de um governo de coalizão.

Seria, então, capaz de fazer história ao bater o recorde de longevidade no poder na Alemanha do chanceler do pós-guerra Konrad Adenauer (14 anos) e igualando o seu próprio pai na política, Helmut Kohl (16 anos).

Merkel se encontra em uma situação paradoxal: elogiada no exterior, onde as expectativas a seu respeito aumentaram após a vitória de Donald Trump na eleição americana, na Alemanha enfrenta um ano eleitoral um tanto fragilizada pela polêmica provocada pela decisão de receber um milhão de refugiados no país.

Esta semana, o presidente americano Barack Obama elogiou Merkel em Berlim durante sua última viagem oficial como chefe de Estado.

"Se fosse alemão, poderia dar meu apoio", disse.

E, diante do avanço das tendências autoritárias no mundo, o jornal The New York Times a chamou de "último baluarte dos valores humanistas no Ocidente".

Mas seu poder está em queda na Alemanha, de acordo com a revista liberal Die Zeit. Ela conseguiu recuperar parte da popularidade perdida com a crise migratória, mas o seu grupo político registra de 32 a 33% das intenções de voto nas pesquisas, quase 10% a menos que nas eleições de 2013.

"O recuo criado pela vitória de Trump afeta Merkel quando suas possibilidades de liderança são limitadas: não pode contar com a Europa para avançar, não tem um partido unido atrás dela e não possui o apoio popular que tinha há um ano e meio", afirma a Die Zeit.

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