Ex-premiê François Fillon lidera primárias da direita francesa

Paris, 20 Nov 2016 (AFP) - O ex-primeiro-ministro François Fillon liderava o primeiro turno das primárias da oposição de direita francesa, à frente do ex-presidente Nicolas Sarkozy, que corre o risco de ser eliminado, segundo resultados parciais desta votação crucial para a eleição presidencial de 2017.

François Fillon recolhia 43,5% dos votos e Nicolas Sarkozy apenas 22,1%, atrás de outro de seus ministros, Alain Juppé (27,6%), de acordo com os resultados de cerca de dois terços das urnas.

Esses três candidatos se distanciam muito largamente dos outros quatro concorrentes, com 3% dos votos cada.

Entre 3,9 e 4,3 milhões de pessoas votaram para decidir entre os sete candidatos, de acordo com uma projeção feita após o encerramento da votação.

"As pessoas sabem que isso é importante porque o candidato que for selecionado terá chances de ser eleito em 2017", ressalta Madi Latil, presidente de um colégio eleitoral em Nice (sudeste).

Dada a sua impopularidade e divisões, a esquerda no poder corre o risco de ser eliminada no primeiro turno da eleição presidencial de abril de 2017. O duelo final poderia, portanto, ser disputado entre o candidato da direita e Marine Le Pen, líder da extrema-direita.

Em ascensão, a extrema-direita tem se aproveitado das preocupações dos franceses relativas à segurança após os ataques terroristas desde 2015 e à crise migratória.

Mas, até agora, as pesquisas estimam que ela não será capaz de recolher os 50% dos votos necessários para ser eleita.

O prefeito de Bordeaux (sudoeste), Alain Juppé, de 71 anos, era dado como favorito das primárias da direita. Ex-premiê de Jacques Chirac entre 1995 e 1997, ele adota uma linha ponderada, rejeitando correr atrás da Frente Nacional (FN) de Marine Le Pen.

Por outro lado, o ex-presidente Nicolas Sarkozy, derrotado em 2012 pelo socialista François Hollande, optou por uma guinada à direita. Apresentando-se como o "defensor da maioria silenciosa", ele centrou seu discurso na autoridade, segurança, identidade, Islã.

Este tom lhe valeu um forte apoio nas fileiras dos Republicanos (41% dos simpatizantes do partido segundo uma pesquisa recente), mas suas declarações sobre os "ancestrais gauleses" dos franceses e "a tirania das minorias" afastaram os simpatizantes da direita moderada e do centro.

Três debates televisivos entre os candidatos - seis homens e uma mulher - permitiram que um terceiro homem, Francois Fillon, que foi o primeiro-ministro de Nicolas Sarkozy durante o seu mandato, ter uma ascensão meteórica nas pesquisas nos últimos dias.

Católico, pai de cinco filhos, Fillon tem um projeto muito liberal no plano econômico e conservador em questões sociais. A última pesquisa, divulgada sexta-feira, deu-lhe uma ligeira vantagem, de 30% dos votos, contra 29% de seus dois principais rivais.

Para participar nesta primária, era preciso assinar uma carta comprometendo-se a partilhar os valores "da direita e do centro" e pagar dois euros. A mobilização importante foi, portanto, uma boa notícia para o partido, cujas finanças estão no fundo do poço.

Enquanto a França está em estado de emergência desde os ataques de 13 de novembro de 2015 (130 mortos), as patrulhas foram reforçadas nas proximidades dos cerca de 10.000 locais de voto, que fecharão às 19h00 (16h00 de Brasília).

Os primeiros resultados significativos são esperados para às 22h30 (19h30 de Brasília).

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