França: François Fillon, a revanche do "colaborador"

Paris, 20 Nov 2016 (AFP) - O ex-primeiro-ministro francês François Fillon, que venceu com ampla vantagem o primeiro turno das primárias da direita francesa neste domingo, deu um grande passo na conquista da presidência em 2017.

"O primeiro-ministro é um colaborador, o patrão sou eu", disse a seu respeito o então presidente francês Nicolas Sarkozy em 2007. Durante cinco anos, François Fillon, pouco amante das câmeras, dirigiu o governo francês nas sombras e na maior discrição.

Dez anos mais tarde, este homem discreto, sério e austero, que se diz "invenerável", emancipou-se desta tutela esmagadora. Aos 62 anos, ele conseguiu surpreender a todos, impondo-se muito à frente nas primárias que se anunciavam um duelo acirrado entre seu antigo "chefe" e o ex-primeiro-ministro Alain Juppé.

Confiante, Francois Fillon garantiu esta semana que poderia contar com "um voto substancial, um voto de adesão a um programa quadrado", definido como "a síntese da direita liberal e da direita autoritária".

Aquele que, em 2007, já dizia estar à frente de um "Estado em situação de falência", propõe uma cura radical para o país: a eliminação de meio milhão de empregos no funcionalismo público, um retorno da carga horária de trabalho de 39 horas semanais, entre outras medidas.

Casado com uma galesa e pai de cinco filhos, este conservador que reivindica sua fé católica também prometeu alterar a lei que atualmente autoriza o casamento aos homossexuais. Ele também quer reduzir a imigração "a um mínimo".

O político jura ter apenas uma obsessão, "a soberania nacional" e seu lugar no cenário mundial, o que o leva a levantar a voz contra os Estados Unidos e defender uma aproximação com a Rússia.

Apaixonado por automobilismo, este filho de um notário graduado em direito público, entrou na política em 1976, tornando-se assistente parlamentar de um deputado. Com a morte deste último, quatro anos depois, retomou sua circunscrição e tornou-se, aos 27 anos, o mais jovem eleito para a Assembleia Nacional.

Desde então, foi reeleito várias vezes em sua fortaleza de la Sarthe (oeste) e subiu gradualmente nas fileiras de seu partido. De 1993 a 2005, participou de todos os governos de direita, assumindo as mais diversas pastas, do Ensino Superior aos Assuntos Sociais.

Quando Nicolas Sarkozy fracassou na tentativa de reeleição em 2012, tentou tomar as rédeas do partido UMP, mas o seu rival Jean-François Copé foi declarado vencedor em meio a acusações de fraudes. Entrou para a dissidência, preparando metodicamente a sua vingança.

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