Alain Juppé, o retorno do velho sábio

Paris, 21 Nov 2016 (AFP) - O ex-primeiro-ministro francês Alain Juppé, finalista das primárias da direita, voltou ao palco principal da política francesa dez anos depois de ter se afastado, mas seu retorno pode ser perturbado por um outro primeiro-ministro, François Fillon.

Cinco vezes ministro, chefe de Governo, deputado, eurodeputado, líder de partido e prefeito de uma das maiores cidades da França, Bordeaux (sudoeste): falta apenas a presidência para o currículo de Alain Juppé.

Mas para vestir as cores da direita durante a eleição presidencial de 2017, precisará vencer François Fillon, que conquistou o primeiro turno das primárias no domingo.

E a distância entre os dois é tal que a tarefa será difícil.

Aos 71 anos, este homem brilhante - "É o melhor entre nós", dizia seu mentor, o ex-presidente Jacques Chirac - conseguiu apagar sua imagem de homem duro, frio e quebradiço ("direito em suas botas", diz ele) e incorporar a imagem de velho sábio capaz de unir a direita.

Na campanha das primárias, optou por um discurso ponderado, recusando-se a "colocar o povo contra as elites", o que lhe rendeu o apoio da direita moderada, de centro e uma parte da esquerda.

Por várias semanas foi apontado à frente nas pesquisas. Mas, provavelmente, foi penalizado pela sua "campanha plana", sem muito entusiasmo e com forte sabor de "chá", de acordo com seus críticos.

Mas esta não foi a primeira derrota para este homem que havia sido dado como morto na política há quase dez anos.

Sua carreira meteórica na década de 1980, chocou-se com o descontentamento das ruas em 1995, quando ele era primeiro-ministro. Milhões de pessoas protestaram contra as suas reformas sociais durante as maiores manifestações na França do período pós-guerra.

Em 2004, seu destino parecia selado para sempre quando foi punido com um ano de inelegibilidade por um caso de cargos de fachada na prefeitura de Paris. Privado de seus mandatos, ele se mudou para o Canadá para dar aulas.

Após voltar a ser elegível em dezembro de 2005, recuperou em 2006 a prefeitura da cidade de Bordeaux, que se tornou a vitrine da sua ação e serviu como sua base para recuperar o poder.

Paradoxalmente, foi a eleição de seu rival Nicolas Sarkozy em 2007 que o trouxe de volta ao primeiro plano da política francesa, sendo nomeado ministro do Meio Ambiente, depois da Defesa e, por fim, das Relações Exteriores.

Em 2012, o fracasso de Nicolas Sarkozy para se reeleger provocou uma verdadeira guerra dentro da direito e ele foi chamado para ser um mediador.

Casado duas vezes, é pai de três filhos.

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