Bombeiros iraquianos combatem incêndios de poços de petróleo causados pelo EI

Al Qayyarah, Iraque, 21 Nov 2016 (AFP) - Bombeiros aparecem esgotados em meio a uma espessa coluna de fumaça preta que sai de um poço de petróleo incendiado pelo Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque.

Alguns usam um capacete vermelho, outros uma máscara para se proteger da fumaça. Todos descansam um momento e voltam aos poços de onde saem labaredas vermelhas e fumaça preta.

Desde a manhã, ajudados por engenheiros petroleiros e policiais, os bombeiros lutam contra os incêndios de uma dezena de poços de petróleo em Qayyarah, localidade no deserto do Iraque, 60 km ao sul de Mossul.

Esses incêndios ocorrem desde agosto, quando os extremistas atearam fogo nos poços para frear a ofensiva das Forças Armadas iraquianas contra Mossul.

Há três meses, intermináveis colunas de fumaça encobrem o céu, contaminam o ar e cobrem de fuligem o solo de Qayyarah e seus arredores.

Em meio ao ruído das bombas que extraem água de um imenso tanque, os bombeiros fazem sinais de que não podem falar com os jornalistas.

A luta contra o fogo nos poços é uma tarefa complexa e perigosa.

"Em um primeiro momento a polícia federal deve verificar se os extremistas não contaminaram os poços", conta Saleh Khodr Ahmad, funcionário do local.

Depois os soldados do fogo "colocam uma mangueira no poço para injetar água até apagar o incêndio e depois cobrem com terra", explica Ahmad.

A tarefa pode levar até um mês de trabalho e por enquanto eles só conseguiram apagar dois dos 19 poços incendiados.

"Estou exausto, meu corpo está destruído", diz Ahmad.

Os incêndios nos poços "produzem uma grande quantidade de contaminantes, em particular a fuligem e gases que causam irritações na pele e cansaço", sustenta o programa de meio ambiente da ONU.

Próximo a localidade estão estacionados uma ambulância e caminhões de bombeiro.

"As ambulâncias estão lá para intervir em caso de sufocamento ou qualquer ferida causada pelas explosões", assinala Ismaïl Ali Mohammed, um oficial de polícia encarregado da segurança do local.

Um de seus colegas morreu no sábado passado ao pisar em uma mina enterrada pelos extremistas e que os bombeiros estavam tentando desativar.

"Estive aqui durante 15 dias, trabalhando 24 horas seguidas. Estamos envenenados pela fumaça", acrescenta Mohammed, cuja família vive em Mossul, em um bairro controlado pelo Estado Islâmico.

"A situação é lamentável", insiste.

mjg/jmm/mer-nbz/hj.

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