Comandantes sírios deverão responder por crimes de guerra, alertam EUA

Nações Unidas, Estados Unidos, 21 Nov 2016 (AFP) - Os Estados Unidos advertiram nesta segunda-feira de forma solene que doze coronéis e generais sírios terão que prestar contas por terem dado a ordem de atacar alvos civis e torturar opositores.

A embaixadora americana nas Nações Unidas, Samantha Power, identificou pelos nomes nesta segunda-feira, ante o Conselho de Segurança, uma dúzia de coronéis e generais sírios acusados destes crimes.

"Devem saber que seus abusos estão documentados e que um dia deverão prestar contas", afirmou Power.

"Os Estados Unidos não deixarão que quem comandou unidades envolvidas nestes atos se ocultem no anonimato por trás da fachada do regime de Assad", acrescentou a diplomata americana.

Estes militares, afirmou, são comandantes de unidades que bombardearam ou atacaram em terra alvos civis, ou comandantes de centros de detenção do Exército sírio, onde os opositores são sistematicamente torturados.

Estes oficiais, explicou a embaixadora americana, acreditam estar a salvo da Justiça, mas "também acontecia o mesmo com Slobodan Milosevic, Charlos Taylor e outros incontáveis criminosos de guerra", disse.

O líder sérvio e o ex-senhor da guerra liberiano foram presos pela Justiça internacional e condenados pelo Tribunal Penal Internacional.

Power admitiu que alguns grupos armados de oposição na Síria também cometeram atrocidades, mas não os identificou.

O embaixador adjunto russo na ONU, Vladimir Safronkov, pediu à embaixadora americana que "seja imparcial". Estas acusações ultrajam o princípio "de presunção de inocência", afirmou o diplomata russo. "Isto só pode ser decidido através de procedimentos legais".

"Onde estão os nomes destes terroristas? Não sejamos hipócritas", acrescentou.

"Abominável"As denúncias com nomes e sobrenomes, feitas pela embaixadora Power, são incomuns no âmbito de uma sessão do Conselho de Segurança.

Mas investigações da própria ONU e de organizações de defesa dos direitos humanos já questionaram várias unidades militares sírias, em particular o último relatório da ONU sobre ataques com armas químicas, cometidos na Síria em 2014 e 2015.

O embaixador sírio, Bashar Jaafari, tentou novamente justificar a ofensiva em Aleppo, a segunda cidade de seu país, submetida a intensos bombardeios de parte das forças de Bashar al Assad e seu aliado russo, pela necessidade de destruir "um embrião de Estado terrorista", em alusão aos extremistas.

Os embaixadores de Estados Unidos, França e Grã-Bretanha deixaram a sala do Conselho de Segurança quando o representante sírio começou a falar.

A organização tem a possibilidade de recorrer ao Tribunal Penal Internacional, competente para julgar crimes de guerra e contra a humanidade, mas a Rússia, que tem direito de veto, se opõe.

Entre os nomes citados por Samantha Power estão cinco generais de divisão (Adib Salameh, Jawdat Salbi Mawas, Tahir Hamid Khalil, Khamil Hassan e Rafiq Shihadeh), cinco generais de brigada e dois coronéis.

Em Washington, o Departamento de Estado, cujo titular, John Kerry, continua acreditando na possibilidade de uma saída política multilateral para a Síria, qualificou de "abominável" a "ausência de ajuda humanitária a Aleppo depois de muito mais de um mês de ataques, enquanto os bombardeios não só continuam, como parece se intensificar".

As tropas do regime sírio avançavam rapidamente nesta segunda-feira em bairros rebeldes de Aleppo, submetidos há quatro meses à "tática cruel" do cerco, assim como "quase um milhão de pessoas" em toda a Síria, segundo a ONU.

O número de pessoas que vive sob cerco neste país passou nos últimos seis meses de 486.700 a 974.080, um "aumento maciço", denunciou o secretário-geral adjunto para Assuntos Humanitários e coordenador de Ajuda de Emergência da ONU, Stephen O'Brien, ao Conselho de Segurança.

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