Farc denunciam 'genocídio' contra líderes sociais na Colômbia

Bogotá, 21 Nov 2016 (AFP) - A guerrilha das Farc advertiu nesta segunda-feira sobre "um novo genocídio" em andamento na Colômbia contra líderes sociais e que pode ameaçar a aplicação do acordo de paz, e pediu ao governo que freie o assassinatos ocorridos nos últimos dias.

"Um novo genocídio está em andamento contra líderes sociais e camponeses", disse a guerrilha em uma carta aberta dirigida ao presidente Juan Manuel Santos, publicado em seu site (www.farc-ep.co), onde recorda o que aconteceu com o partido de esquerda União Patriótica (UP) nos anos 1990, quando mais de 3.000 militantes foram mortos por paramilitares.

"É tão grave a situação que nas últimas 48 horas ocorreram três mortes e dois atentados", informou a guerrilha, assegurando que "quem está por trás desses assassinatos seletivos e de caráter político são os mesmos que obtiveram dinheiro, poder e privilégios graças à guerra fratricida que por mais de 52 anos destruiu o país".

Para as Farc, "ninguém explica o motivo de, havendo determinação de acabar com a guerra, não tomarem as decisões que efetivamente desarticulem o paramilitarismo", que oficialmente se desmobilizou há uma década, mas cujos remanescentes são suspeitos desses assassinatos.

Na carta, assinada pelo secretário das Farc, a guerrilha diz a Santos que "se está comprometido com a paz da Colômbia, que aja colocando um ponto final nesse extermínio de inocentes" e implemente "já o acordo sobre garantias de segurança" que faz parte do acordo de paz selado pelas partes.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc, marxistas) alcançaram há uma semana em Havana um segundo acordo de paz com o governo de Santos, após o primeiro ser rejeitado no referendo de 2 de outubro.

As partes pediram uma rápida implementação deste acordo devido à "fragilidade" do cessar-fogo bilateral que está em vigência desde o fim de agosto e que decidiram manter enquanto se renegociava o pacto de paz para incluir propostas da oposição, liderada pelo ex-presidente e atual senador Álvaro Uribe.

No fim de semana, a missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) que apoia o processo de paz, informou estar "preocupada" com a segurança dos líderes sociais, citando um relatório em que organizações de ação comum advertiram o governo sobre o homicídio de 33 de seus membros durante este ano.

A maioria dos casos de assassinatos e ameaças ocorreram no sul e no sudoeste do país.

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