Depois de eleito, Trump mantém o estilo provocador da campanha

Washington, 22 Nov 2016 (AFP) - Duas semanas depois de sua vitória que causou uma onda de choque em todo o mundo, o presidente eleito dos Estados Unidos Donald Trump parece querer governar como conduziu sua campanha: com tuítes ácidos, obsessão pelas redes sociais e perigosas ligações com a extrema-direita americana.

Mas o bilionário, que planeja a transição em sua luxuosa Trump Tower, em Nova York, também fez concessões sobre seu programa e exibiu uma atitude contida em certas reuniões, inclusive com Barack Obama.

As evidências mais concretas sobre o conteúdo do seu mandato - sobre o qual 59% dos americanos se dizem "otimistas", de acordo com uma pesquisa da Universidade de Quinnipiac - foram destiladas através das suas primeiras nomeações e em um vídeo em que enumera as medidas-chave de seus 100 primeiros dias de governo.

A presidência dos Estados Unidos será o primeiro cargo eletivo de Trump, e ele tem se cercado de partidários de uma linha dura sobre segurança, imigração ou Islã, e prossegue com as reuniões para formar o governo que vai tomar as rédeas do país em 20 de janeiro.

O presidente eleito prometeu retirar seu país do tratado comercial transpacífico (TPP) e conduzir uma política "climatocética". Em contrapartida, Donald Trump voltou atrás em sua promessa de cancelar a reforma da saúde Obamacare.

Ele também procurou tranquilizar os aliados de Washington sobre os acordos militares e um de seus assessores mais próximos, Kellyanne Conway, afirmou nesta terça-feira que seu governo não iria dar prosseguimento à investigação sobre o caso de e-mails privados de Hillary Clinton.

Durante a campanha eleitoral, esta ideia havia animado multidões durante os comícios do candidato, onde seus simpatizantes gritavam "Prendam-na!".

Saudações nazistas em WashingtonNa noite de sua eleição, o republicano enviou uma mensagem de união, prometendo ser o presidente de "todos os americanos", o que não impediu muitos manifestantes de protestarem para expressar preocupação.

Os temores se referem em particular a um projeto de registro de todos os muçulmanos nos Estados Unidos, objeto de rumores alimentados por fotos de um deputado anti-imigração do Kansas, Kris Kobach, tiradas pouco antes de uma reunião com Donald Trump.

O entusiasmo da extrema-direita após a eleição também levanta questões, particularmente devido à presença no último sábado, em Washington, de 200 pessoas reunidas para ouvir Richard Spencer, representante de um movimento que defende o advento de uma nação branca e que proclama abertamente a superioridade da raça branca.

As saudações nazistas observadas no comício, grafites em forma de suásticas descobertos na sexta-feira em um parque de Nova York ou a nomeação de Steve Bannon, personalidade da extrema-direita, como assessor da Casa Branca alimentam tais preocupações.

Presidente de 'tuíte fácil'Os jornais New York Times e Washington Post questionaram em seus editoriais o fato de que Donald Trump não tentou denunciar o evento de sábado, apesar de o magnata imobiliário ser conhecido por ser alguém de "tuíte fácil".

Em sua conta @realDonaldTrump, Donald Trump continua a atacar os seus adversários, do programa satírico Saturday Night Live aos atores do musical "Hamilton", passando por certos meios de comunicação com os quais está em guerra aberta.

Em mais um episódio de sua cruzada contra a cobertura "desonesta" de tais meios, ele cancelou na terça-feira uma entrevista com o New York Times antes de voltar atrás e aceitar os termos originalmente propostos.

No dia anterior, ele havia cortejado representantes dos principais canais de televisão durante uma reunião de bastidores, de acordo com vazamentos na imprensa americana.

Donald Trump, cuja política externa ainda está envolta em mistério, também tem aumentado as gafes diplomáticas, a última tendo sido a de sugerir a nomeação do chefe do partido anti-europeu britânico UKIP, Nigel Farage, como embaixador da Grã-Bretanha para os Estados Unidos.

Conflitos de interesse com suas atividades no setor imobiliário também foram apontados, após um encontro com três empresários indianos com os quais sua organização trabalha e um telefonema ao presidente argentino, Mauricio Macri, durante o qual teria pedido uma autorização para construir uma Trump Tower em Buenos Aires, o que Macri negou.

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