Assange exige liberdade após decisão da ONU a seu favor

Londres, 1 dez 2016 (AFP) - O fundador do Wikileaks, Julian Assange, exigiu nesta quinta-feira ao Reino Unido e Suécia que o deixem sair da embaixada equatoriana depois que a ONU rejeitou um recurso britânico e ratificou uma decisão a seu favor.

Refugiado desde junho de 2012 na embaixada do Equador em Londres para evitar sua extradição para a Suécia, Assange pediu ao grupo de trabalho da ONU sobre detenções arbitrárias que examinasse seu caso. Em fevereiro de 2016, os especialistas estabeleceram que o australiano de 45 anos era vítima de uma detenção arbitrária.

Depois de saber da decisão, o Reino Unido entrou com um recurso, que foi rejeitado, definitivamente, na 77ª sessão deste grupo de trabalho, realizada entre 21 e 25 de novembro.

"Agora que se esgotaram todas as possibilidades de apelação, espero que o Reino Unido e a Suécia cumpram com suas obrigações internacionais e me libertem", declarou o australiano em um comunicado.

"É uma óbvia e grande injustiça deter durante seis anos alguém que não foi acusado", afirmou.

Composto por cinco especialistas independentes - Sètondji Roland Adjovi (Benin), José Antonio Guevara Bermúdez (México), Leigh Toomey (Austrália), Seong-Phil Hong (Coreia do Sul) e Elina Steinerte (Letônia) -, o grupo da ONU é subordinado ao Conselho dos Direitos Humanos e emite opiniões, as quais não são vinculantes.

O recurso apresentado por Londres argumentava que o fundador do Wikileaks deteve a si mesmo ao se refugiar na embaixada do Equador.

Na Suécia, ele deve responder a denúncias de abusos sexuais que datam de 2010. Ele foi interrogado sobre o caso em meados de novembro na legação por parte da Procuradoria sueca.

Assange se recusa a retornar para a Suécia por medo de ser extraditado aos Estados Unidos, onde é acusado pela publicação, por parte do WikiLeaks em 2010, de 500.000 documentos sigilosos sobre o Iraque e Afeganistão, assim como de 250.000 conversas diplomáticas, pelo qual poderia enfrentar uma longa pena na prisão ou ser condenado à morte.

Por disposição de um tribunal de apelação sueco, é mantida uma ordem de prisão internacional contra Assange, a quem Londres nega um salvo-conduto para viajar ao Equador em condição de asilado.

O governo britânico expressou nesta quinta-feira sua decepção com a rejeição de sua apelação.

"Julian Assange não está, e nunca esteve, detido arbitrariamente no Reino Unido", afirmou o secretário de Estado britânico para Europa e as Américas.

"Rejeitamos integralmente a opinião do grupo de trabalho da ONU e estamos muito decepcionados porque não revisaram este veredicto cheio de erros", acrescentou.

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