Coreia do Norte organiza simulação de ataque a Seul após novas sanções da ONU

Seul, 2 dez 2016 (AFP) - O líder norte-coreano Kim Jong-Un ordenou um exercício de simulação em grande escala de um ataque contra a Coreia do Sul após a imposição de novas sanções pela ONU, às quais foram adicionadas nesta sexta-feira medidas unilaterais de Seul e Tóquio.

Os exercícios militares norte-coreanos tomaram como alvos hipotéticos cinco ilhas e "órgãos dirigentes reacionários" em Seul e outras cidades, de acordo com a agência oficial KCNA.

"Se explodir uma guerra, um golpe mortal como este será dado nas forças sul-coreanas, para quebrar por completo e cortar na raiz sua vontade de resposta, aniquilando-as", disse Kim, de acordo com a agência.

"Ninguém ou nada sobreviverá", completou Kim, enquanto comandava o exercício simulado de artilharia.

Depois que a Coreia do Norte realizou novos testes nucleares, o Conselho de Segurança da ONU aprovou esta semana por unanimidade sanções mais severas contra Pyongyang. As exportações de carvão do país para a China serão limitadas.

Pyongyang realizou este ano dois testes nucleares, em janeiro e setembro, e lançou ao menos 25 mísseis balísticos em violação às resolçuções da ONU.

As novas sanções limitam as vendas norte-coreanas de carvão a 400,9 milhões de dólares (ou 7,5 milhões de toneladas) por ano a partir de 1º de janeiro de 2017, ou seja, uma redução de 62% na comparação com 2015.

Pyongyang não poderá exportar determinados metais (cobre, prata, zinco, níquel) que geram uma arrecadação de 100 milhões de dólares por ano, assim como estátuas e helicópteros.

As autoridades norte-coreanas também não poderão fazer compras de luxo no exterior, as missões diplomáticas do país serão reduzidas e cada diplomata poderá ter apenas uma conta bancária.

- Tensão entre vizinhos -Nesta sexta-feira, a Coreia do Sul anunciou seu próprio pacote de sanções contra Pyongyang, com dezenas de nomes e organizações adicionados a uma lista negra de suspeitos de envolvimento no programa nuclear do Norte.

Com a ausência de vínculos comerciais entre as duas Coreias, as medidas adotadas por Seul são fundamentalmente simbólicas e constituem, mais do que qualquer outra coisa, uma advertência, afirmou Lee Suk-Joon, alto funcionário do governo sul-coreano.

A lista negra ampliada inclui o Partido dos Trabalhadores da Coreia e dois colaboradores próximos de Kim Jong-Un, Choe Ryong-Hae e Hwang Pyong-So, em uma tentativa de abalar a liderança do ditador.

A Coreia do Sul incluiu ainda a empresa chinesa Dandong Hongxiang Industrial Development, que já estava na lista negra dos Estados Unidos desde setembro, por suposto apoio ao programa nuclear norte-coreano.

Esta é a primeira vez que Seul anuncia uma punição contra uma empresa chinesa relacionada ao confronto com a Coreia do Norte.

O Japão também anunciou um endurecimento do regime de sanções unilaterais ao ampliar uma proibição de amarração em seus portos a navios que tenham passado pela Coreia do Norte, assim como novas adições a sua própria lista negra de empresas ou particulares norte-coreanos.

Atualmente, a China é praticamente o único destino do carvão norte-coreano. Pequim, principal aliado e sócio econômico da Coreia do Norte, votou, no entanto, a favor das novas sanções na ONU.

Apesar de ter endurecido o tom recentemente com Pyongyang, a China parece querer evitar uma queda do regime comunista coreano e o nascimento de uma Coreia unida sob influência americana. Por este motivo tenta proteger o aliado e vizinho de sanções mais severas.

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