Hollande deixa caminho livre para esquerda francesa

Paris, 2 dez 2016 (AFP) - Ao desistir de buscar a reeleição, o presidente francês, François Hollande, deixou o caminho livre para as primárias do Partido Socialista, entre rumores de uma possível candidatura de seu primeiro-ministro, Manuel Valls, nesta sexta-feira.

"Sou consciente dos riscos que minha candidatura, que não reúne todos os consensos, representaria. Portanto, decidi não ser candidato à eleição presidencial", anunciou na noite de quinta-feira François Hollande, em um discurso solene no Palácio do Eliseu.

Hollande, de 62 anos, que chegou ao poder após derrotar o conservador Nicolás Sarkozy, se torna, assim, no primeiro presidente da Quinta República a desistir de buscar a reeleição.

Sua decisão, com a qual espera dar à esquerda uma oportunidade de chegar ao segundo turno das eleições, conta com a aprovação de oito em cada dez franceses, segundo uma pesquisa.

Todas as pesquisas apontavam que o presidente francês se encaminhava para uma derrota humilhante, com apenas 7% das intenções de voto, no primeiro turno da eleição presidencial prevista para abril de 2017, muito atrás do aspirante da direita, François Fllon, e da líder da extrema direita Frente Nacional (FN), Marine Le Pen.

Sua desistência em buscar um segundo mandato deixa o caminho livre para o primeiro-ministro, Manuel Valls, espanhol de nascimento e naturalizado francês aos 20 anos, que pode oficializar nos próximos dias sua candidatura às primárias socialistas de 22 e 29 de janeiro.

Valls, que estava de visita nesta sexta-feira no leste da França, prometeu "defender o balanço" do presidente Hollande.

No fim de semana passado, Valls, de 54 anos, aumentou a pressão sobre o presidente Hollande, que mantinha o suspense sobre suas intenções, anunciando que não descartava se apresentar nas eleições internas do Partido Socialista (PS).

Há algumas semanas, Valls, que provoca a rejeição de uma parte dos socialistas devido a um discurso pró-empresas e por seu caráter considerado autoritário, tenta ampliar sua base eleitoral com um discurso mais matizado.

Derrotar a direita e a extrema direitaOutros líderes da esquerda, como os ex-ministros Arnaud Montebourg e Benoît Hamon, que renunciaram do governo em 2014, em desacordo com a linha econômica adotada pelo Executivo, anunciaram sua intenção de se apresentar às primárias socialistas.

À margem destas primárias, existem as candidaturas do esquerdista Jean-Luc Mélenchon, apoiado pelo Partido Comunista, que obteve 11% dos votos no primeiro turno da eleição presidencial de 2012, e a de Emmanuel Macron, ex-ministro de Hollande, mais voltado para o centro.

"Como socialista, porque é o compromisso de toda a minha vida, não posso aceitar (...) a implosão da esquerda, já que eliminaria qualquer esperança de derrotar o conservadorismo e, pior ainda, o extremismo", expôs Hollande, que com sua decisão espera evitar que a esquerda perca as eleições.

Enquanto isso, diante de uma esquerda fragmentada, a direita francesa já está pronta para a batalha. Os conservadores designaram na semana passada o ex-primeiro-ministro de Sarkozy, François Fillon, de 62 anos, como candidato presidencial.

Segundo as últimas pesquisas, Fillon, um conservador católico que promete reformas econômicas profundas, lideraria o primeiro turno, à frente da líder de extrema direita Marine Le Pen, que tem grandes chances de passar ao segundo turno das presidenciais, como fez seu pai, Jean-Marie Le Pen, em 2002.

"Os primeiros-ministros vão tentar nos fazer acreditar que não têm nenhuma responsabilidade sobre o balanço do quinquênio de Nicolás Sarkozy e François Hollande. Nosso dever é lembrá-los que os primeiros-ministros têm responsabilidade integral nas políticas feitas", declarou Le Pen com Fillon e Valls em sua mira.

Durante seu discurso, Hollande pediu aos franceses que rejeitem o populismo e o extremismo na eleição presidencial do próximo ano. "Digo-lhes claramente e francamente: o perigo maior é o protecionismo, o ostracismo. Seria um desastre", assinalou.

Esta advertência tem um eco ainda maior em um momento em que a Europa aguarda o resultado pendente nas urnas da Áustria neste fim de semana, em que se vê diante de uma possível chegada da extrema direita ao poder.

meb-eg/jz/cb/mvv

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos