Mercosul suspende Venezuela por descumprir acordos

Rio de Janeiro, 2 dez 2016 (AFP) - Os quatro países fundadores do Mercosul - Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai - enviaram uma "comunicação" à Venezuela, indicando que os direitos do país no bloco "estão suspensos" - disse uma fonte do governo brasileiro à AFP nesta quinta-feira (1º).

A decisão está ligada ao vencimento do último prazo acordado em setembro para que Caracas cumprisse suas obrigações de adesão ao Mercosul, acrescentou a fonte, que pediu pra ter sua identidade preservada.

Os chanceleres "elaboraram informes, nos quais ressaltam que a Venezuela não cumpriu o acordado" e, em consequência, "enviaram-lhe uma comunicação notificando-a de que seus direitos estão suspensos", acrescentou.

Segundo a mesma fonte, a informação não foi tornada pública, porque, provavelmente, "ainda não foi recebida" de forma oficial em Caracas.

A marginalização da Venezuela se desenhava desde que os demais sócios bloquearam, em julho passado, o acesso do país caribenho à presidência semestral do bloco.

Em setembro, os quatro países fundadores decidiram ocupar o posto de forma colegiada e intimaram o governo de Nicolás Maduro a adotar até 1º de dezembro todos os compromissos de adesão. Entre eles, a livre-circulação de mercadorias entre os países-membros e a cláusula democrática.

A suspensão "foi natural, se esperava", disse a fonte.

'Não saímos, nem vão nos tirar'Na última terça (29), a Venezuela se declarou disposta a aderir a um dos acordos comerciais pendentes - aquele relacionado às tarifas comuns e à livre-circulação de bens.

"Finalizadas as revisões técnicas, a Venezuela se encontra em condições de aderir ao Acordo de Complementação Econômica", afirmou a chanceler Delcy Rodríguez, em uma carta dirigida a seus homólogos de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai.

Rodríguez ressaltou que, atendendo aos "princípios de gradualidade, flexibilidade e equilíbrio que regem seu processo de adequação ao Mercosul, (a Venezuela) está preparada para iniciar imediatamente o processo de adesão".

"Nem saímos, nem vão nos tirar do Mercosul", declarou Rodríguez na segunda-feira (28), dia em que insistiu na determinação de Caracas de permanecer no bloco.

"Fazemos um apelo aos povos das capitais do Mercosul para defenderem a Venezuela, porque isso é defender os maiores ideais de integração, união e cooperação", convocou a ministra das Relações Exteriores, em Caracas, nesse mesmo dia.

O Mercosul foi fundado em 1991 e aceitou a Venezuela como membro pleno em 2012.

As tensões entre o governo Maduro e seus sócios aumentaram desde a chegada ao poder de governos liberais de centro-direita na Argentina - onde Mauricio Macri ganhou as eleições no final de 2015 - e no Brasil, onde Michel Temer assumiu a presidência em maio passado, após o impeachment sofrido por Dilma Rousseff.

O Mercosul atravessa uma de suas piores crise, equiparável apenas àquela gerada pela suspensão do Paraguai em 2012, depois de um processo parlamentar que destituiu o presidente de esquerda Fernando Lugo.

Foi nesse período que Argentina, Brasil e Uruguai aprovaram o ingresso da Venezuela, que contava com a oposição de Assunção.

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