Queda surpreendente de desemprego nos EUA em novembro

Washington, 2 dez 2016 (AFP) - Com uma dinâmica criação de emprego e uma taxa de desemprego em seu nível mais baixo em quase uma década, o mercado de trabalho americano não parece afetado pela incerteza que cercou a eleição presidencial de novembro, apesar de alguns pontos obscuros persistirem.

A taxa de desemprego nos Estados Unidos caiu em novembro ao seu nível mais baixo desde agosto de 2007, em um contexto de criação de empregos dinâmicos, informou nesta sexta-feira o Departamento do Trabalho.

O indicador retrocedeu 0,3 ponto em um mês para se estabelecer em 4,6%, enquanto os analistas estimavam que permaneceria sem mudanças.

Consequentemente, em novembro houve uma queda líquida do número de desempregados nos Estados Unidos (-387.000), situando o total em 7,4 milhões.

O saldo líquido de novos empregos se situou em 178.000 em novembro, contra 142.000 em outubro.

O setor de serviços foi novamente o mais dinâmico, com 63.000 empregos a mais em novembro, principalmente na divisão de seguro por doença. Pelo contrário, o setor manufatureiro perdeu quatro mil postos de trabalho no mês.

Desde o início do ano, os Estados Unidos evoluíram em torno de uma média de 180.000 novos empregos por mês, uma queda em relação há um ano, mas o suficiente para continuar reduzindo a taxa de desemprego, segundo o Departamento do Trabalho.

A incerteza que precedeu a eleição de 8 de novembro e a surpreendente vitória do republicano Donald Trump parecem não ter tido efeito sobre o mercado de trabalho.

Os partidário do presidente eleito atribuíram a notícia a um "efeito Trump" e à sua meta de trazer de volta empregos da indústria.

O conselheiro econômico de Trump, Peter Navarro, relativizou as cifras do Departamento de Trabalho e destacou especialmente a redução do nível de emprego na indústria manufatureira.

"Os 4.000 empregos que desapareceram no mês passado nas fábricas se somam aos mais de 300.000 que se perderam durante a administração do presidente Obama", disse Navarro.

No entanto, dados do Departamento do Trabalho mostram que o setor criou 800.000 empregos desde fevereiro de 2010, quando atingiu seu menor nível.

Os democratas contabilizam esse dinamismo no balanço da administração do presidente Barack Obama. Em um comunicado, a Casa Branca comemorou a notícia, ressaltando que há "mais trabalho" a fazer para repartir melhor os frutos do crescimento, chamando a próxima administração a aumentar o salário mínimo federal, congelado desde 2009 em 7,25 dólares por hora.

Dados negativosMas, para além dos números, o novo relatório sobre o emprego esconde algumas zonas escuras.

A diminuição da taxa de desemprego pode ser explicada, em parte, por razões negativas, como a nova redução da população ativa, que perdeu 226.000 pessoas em novembro.

Mas isso também se deve aos ativos que se aposentam, além do fato de que trabalhadores que optam por não procurar emprego são excluídos das estatísticas.

Segundo dados oficiais, a porcentagem da população economicamente ativa diminuiu ligeiramente, para 62,7%.

O número de trabalhadores obrigados a trabalhar a tempo parcial manteve-se estável no país (5,6 milhões), embora tenha diminuído em relação a outubro.

Outra grande fonte de preocupação, o salário médio por hora nos Estados Unidos caiu pela primeira vez em dois anos, perdendo três centavos, para US$ 25,89.

Este dado é estudado com atenção pelo Federal Reserve (Fed), que espera que um aumento dos salários aproxime a inflação de sua meta de 2%.

Esta equação é anunciada difícil para o banco central, cujo segundo objetivo é o pleno emprego e que, em meados de dezembro, decidirá se a economia americana é forte o suficiente para suportar um novo aumento das taxas de juros.

Analistas do Barclays afirmam que sim e esperam um aumento em dezembro, um ano após o término da política de sete anos de taxa zero.

"Consideramos que o mercado de trabalho demonstrou os avanços que a Comissão (monetária do Fed) esperava para justificar um aumento das taxas em dezembro", escreveram.

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