Rebeldes sírios tentam resistir no leste de Aleppo

Alepo, Síria, 2 dez 2016 (AFP) - Os rebeldes defendiam nesta sexta-feira com unhas e dentes um grande bairro do leste de Aleppo depois de violentos combates noturnos contra o exército de Bashar al-Assad, que reconquistou nos últimos dias cerca da metade do principal reduto insurgente na Síria.

Depois de sofrer com o intenso fogo do governo sírio e com o avanço de suas tropas, os rebeldes conseguiram expulsar durante a noite os soldados do bairro de Sheikh Said, no sudeste de Aleppo, afirmou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Com o objetivo de controlar a totalidade de Aleppo, o governo lançou no dia 15 de novembro, com a ajuda de combatentes iranianos, libaneses do Hezbollah, iraquianos e palestinos, e com o apoio aéreo de seu aliado russo, uma brutal ofensiva para eliminar os rebeldes dos bairros do leste da cidade.

Aleppo, imersa em uma batalha-chave do conflito que deixou mais de 300.000 mortos em mais de cinco anos, está dividida desde 2012 na parte leste, controlada pelos rebeldes, e nos bairros do oeste, nas mãos do governo.

Apesar das críticas do Ocidente e dos apelos da ONU para uma trégua, o governo, com o apoio russo e iraniano, submete os bairros do leste a contínuos bombardeios, barris de explosivos e disparos de morteiros, que destruíram os bairros insurgentes e obrigaram 50.000 de seus 250.000 habitantes a fugir.

Segundo o OSDH, os combates seguiam sendo registrados na manhã desta sexta-feira no bairro de Sheikh Said entre o exército e seus aliados, de um lado, e os rebeldes e extremistas da Frente Fateh al-Sham, vinculada à Al-Qaeda, do outro.

Embora há alguns dias o governo tenha conseguido tomar o controle de 70% deste bairro, os rebeldes conseguiram inverter a situação e agora são eles que dominam 70% da região, acrescentou esta ONG.

Foguetes contra o oeste de Aleppo"O governo e seus aliados, que atacam Sheikh Said, querem tomar o controle deste bairro, cuja captura ameaçaria diretamente todos os bairros do sul no setor rebelde", advertiu Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

Perder este bairro "seria um duro golpe para os rebeldes, sobretudo depois da tomada de toda a parte setentrional do leste de Aleppo nestes últimos dias" por parte do governo, acrescentou.

"Os rebeldes opõem uma resistência feroz porque sabem que ficarão encurralados se Sheikh Said cair", concluiu.

Na véspera, o governo, que controla atualmente 40% do leste de Aleppo, mobilizou centenas de soldados de elite nestes bairros, prevendo os múltiplos combates nas ruas das zonas mais povoadas onde, segundo o OSDH, os combatentes se misturam aos habitantes.

Desde 15 de novembro, 307 civis, entre eles 42 crianças e 21 mulheres, morreram na parte leste de Aleppo, segundo a OSDH. No oeste de Aleppo, 59 morreram por disparos rebeldes.

No centro do leste de Aleppo, o exército avançou tomando uma parte do bairro rebelde de Tariq al-Bab e chegou ao bairro de Chaar, onde as ruas estavam completamente desertas e podia-se ver enormes destruições, segundo um correspondente da AFP no local.

Mais de 200 associações humanitárias e de defesa dos direitos humanos convocaram na quinta-feira a Assembleia Geral da ONU para abordar o conflito sírio, diante da paralisia do Conselho de Segurança nesta crise.

A Rússia, por sua vez, propôs a criação de quatro corredores humanitários até o leste de Aleppo para evacuar feridos e civis, e poder enviar ajuda.

A Rússia não participa com bombardeios na atual ofensiva contra o leste de Aleppo, como fez em outras ocasiões, mas sua intervenção militar em apoio ao governo desde setembro de 2015 contribuiu para enfraquecer as forças rebeldes.

Os bombardeios do governo diminuíram por conta do mau tempo, mas a artilharia continuava ativa nas diferentes frentes.

Também por essa razão a intensidade do êxodo de civis fugindo da violência caiu. Várias famílias separadas pela guerra puderam se reunir novamente.

Retomar o controle de toda cidade de Aleppo representaria a maior vitória do governo desde o início da guerra e reforçaria seus aliados russo, iraniano e do Hezbollah libanês. E seria uma derrota contundente para os apoios árabes e ocidentais da oposição síria.

Em visita a Beirute, o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlüt Cavusoglu, cujo país apoia a rebelião, pediu "um cessar-fogo o mais rápido possível".

bur-ram/tp/iw/es.

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