Três candidatos impugnam resultados das presidenciais haitianas

Porto Príncipe, 2 dez 2016 (AFP) - Os três candidatos das eleições presidenciais do Haiti Jude Célestin, Moise Jean-Charles e Maryse Narcisse impugnaram na Justiça os resultados preliminares que deram como vencedor no primeiro turno Jovenel Moise.

Segundo os dados anunciados na noite de segunda-feira pelo Conselho Eleitoral Provisório (CEP), Moise - do partido Tet Kale (PHTK) e apoiado pelo ex-presidente Michel Martelly - obteve em 20 de novembro 55% dos votos, seguido por Célestin, com 19,52%, Jean-Charles, com 11,04%, e Narcisse, com 8,99%.

A lei haitiana faculta aos candidatos a impugnação dos resultados das eleições presidenciais e legislativas nos tribunais eleitorais antes da publicação dos resultados oficiais, prevista para 29 de dezembro. O prazo para apresentar o documento era esta sexta-feira às 10H00 locais.

Antes do anúncio dos resultados, o partido Lapeh de Celestin já tinha escrito oficialmente ao CEP para impugnar a forma como foram tratados os documentos que saíram dos centros de votação.

"O decreto eleitoral estabelece que o eleitor deve assinar a folha de presença ou, se não souber ler ou escrever, estampar sua impressão digital. Infelizmente, o CEP elegeu não considerar este aspecto", disse na sexta-feira à AFP Gérard Germani, conselheiro político de Celestin.

"Pensávamos que veríamos uma diferença na forma como são organizadas as eleições no Haiti. Deveremos nos apresentar aos tribunais para fazer valer nossos direitos", lamentou.

O partido do candidato Jean-Charles, Pitit Dessalines, vai ainda mais longe e acusa o CEP de corrupção.

"Segundo várias testemunhas, nos arredores do hotel que abrigava o CEP na segunda-feira à noite havia veículos com muitos dólares dentro para negociar com membros do CEP", assegurou à AFP o advogado do partido, Evelt Fanfan.

"A prova é que três (dos nove) membros do CEP se negaram a assinar o documento com o anúncio dos resultados porque não estavam de acordo com esta prática", prosseguiu.

O presidente do CEP, Léopold Berlanger, não quis comentar este conflito interno.

As eleições de 20 de novembro, que não registraram incidentes, constituem um passo crucial para o restabelecimento da ordem constitucional no Haiti, a nação mais pobre do hemisfério, após a anulação do primeiro turno das presidenciais de outubro de 2015 por denúncias maciças de fraude.

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