'Silêncio eleitoral' na Itália antes de referendo chave para Renzi

Roma, 3 dez 2016 (AFP) - A Itália vivia neste sábado um dia de "silêncio eleitoral", na véspera de um referendo crucial para Matteo Renzi, embora tanto o chefe de governo quanto seus opositores tenham encorajado seus partidários a convencer os muitos indecisos.

Os meios de comunicação não podem fazer nenhum comentário sobre o referendo até o fechamento dos centros de votação no domingo às 23h00 (20h00 de Brasília). E a hashtag "silenzioelettorale" (silêncio eleitoral, em italiano) estava entre os cinco trending topics deste sábado na rede social Twitter, onde a maioria dos usuários comemoravam este recesso após uma campanha frequentemente áspera.

Um total de 50 milhões de eleitores poderão se pronunciar no domingo sobre esta reforma, que prevê uma drástica redução dos poderes do Senado, uma limitação das prerrogativas das regiões e a supressão das províncias.

A incerteza em relação a esta votação provoca calafrios na Europa e nos mercados, onde teme-se uma nova fase de instabilidade causada pela terceira economia da eurozona, após o Brexit.

A ampla maioria da classe política, da extrema-esquerda à extrema-direita, e inclusive críticos da própria formação de Renzi, o Partido Democrático (PD), se opõem a uma reforma que, segundo eles, colocaria muito poder nas mãos do chefe de governo.

O referendo se converteu em um plebiscito a favor ou contra Renzi (centro-esquerda), que aumentou ainda mais sua presença nos meios de comunicação e nas redes sociais nos últimos 10 dias para defender uma reforma com a qual pretende simplificar a vida política em um país que teve 60 governos desde 1948.

"Votem para que Renzi não se converta em seu chefe nem no chefe da Itália", declarou na sexta-feira o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi (centro-direita), que disse que Renzi deveria "abandonar a política" em caso de fracasso.

As últimas pesquisas publicadas há duas semanas - na Itália estão proibidas nos 15 dias anteriores às eleições - davam entre 5 e 8 pontos de vantagem para o "não", mas muitos eleitores ainda estavam indecisos sobre seu voto.

Em um último comício de campanha na sexta-feira em Florença, cidade onde foi prefeito, Renzi convocou seus partidários a convencer os indecisos.

Entre a multidão que ouvia suas palavras, alguns militantes pareciam dispostos a defender a reforma constitucional, mas outros se mostravam menos entusiasmados, como Franco, de 62 anos.

"Voto 'sim' apenas porque tenho medo de que seja criado um vácuo político, institucional e econômico, em caso de vitória do 'não'", explicou. "Os demais partidos não propõem nenhuma alternativa, mas Renzi cometeu muitos erros e poderia ter feito muito melhor", acrescentou.

O populista Movimento 5 Estrelas (M5S), um dos maiores partidários do "não", realizou, por sua vez, um grande comício em Turim, onde seu líder, o humorista Beppe Grillo, pediu aos italianos que "despertassem" e fossem votar "não" no referendo para defender suas liberdades.

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