Áustria elege presidente com chance de vitória da extrema-direita

Viena, 4 dez 2016 (AFP) - Os austríacos votavam neste domingo para eleger seu presidente, no segundo turno de eleições acompanhadas muito de perto pela possibilidade de que pela primeira vez um candidato de extrema-direita chegue à presidência em um país da União Europeia.

Nas eleições se enfrentam o vice-presidente do Parlamento, Norbert Hofer, de 45 anos, candidato do ultradireitista Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), e o independente Alexander Van der Bellen, de 72 anos.

Os dois candidatos representam visões opostas da política, já que, enquanto Hofer defende uma visão eurocética e contrária à imigração, Van der Bellen se apresenta como um ecologista liberal.

Embora o papel do presidente seja protocolar, já que o chefe de Estado austríaco tem competências limitadas, a eleição de Hofer somaria uma nova vitória populista depois do Brexit no Reino Unido e de Donald Trump nos Estados Unidos.

Neste domingo também são realizadas eleições na Itália, onde os eleitores se pronunciarão sobre uma reforma da Constituição.

O que está em jogo neste domingo é "a direção que a Áustria tomará (...) como vemos nosso futuro (...) e como queremos que o mundo nos veja", disse Van der Bellen em seu último discurso de campanha.

Hofer, cujo partido foi fundado por ex-nazistas, disse no sábado que "a Europa atravessa uma crise profunda" que deve ser resolvida concentrando menos poderes supranacionais em Bruxelas.

"É preciso se livrar do sistema empoeirado", disse, embora sem fazer nenhuma referência à possibilidade de que o país saia do pacto europeu.

No entanto, este cenário, batizado por Van der Bellen como "Öxit", pela combinação de "Österreich" (Áustria, em alemão) e "exit" (saída), não foi citado em nenhum momento por Hofer.

Um total de 6,4 milhões de eleitores estão convocados às urnas. A maioria dos colégios eleitorais abriram às 07h00 locais (04h00 de Brasília) e fecharão às 17h00 (14h00 de Brasília), e a partir deste momento serão publicadas as primeiras estimativas.

No entanto, o ministério do Interior indicou que os resultados não serão anunciados antes de segunda-feira, quando os votos por correspondência serão incorporados.

Estas eleições são uma repetição do segundo turno realizado em maio passado, que foi anulado por um recurso apresentado pelo FPÖ, que denunciou irregularidades.

Os votos por correio representaram na ocasião cerca de 16,7% do total e eles favoreceram amplamente Van der Bellen, que se impôs com uma margem mínima de 31.000 votos.

Neste contexto, uma das principais incógnitas é a participação, que em maio foi de 72,6%.

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