Fatah palestino revela novos líderes de sua direção

Ramallah, Territórios palestinos, 4 dez 2016 (AFP) - O partido palestino Fatah anunciou neste domingo os membros de sua nova direção, depois de uma votação que afastou os adversários do presidente Mahmud Abbas e apontou para possíveis sucessores do líder.

Entre os 18 membros eleitos para o comitê central, a principal instância do partido, destacam-se dois homens: Marwan Barghuti e Jibril Rajub.

Barghuti, um dos líderes da Segunda Intifada e preso em Israel desde 2002, foi o que mais recebeu votos, seguido por Rajub, um ex-membro da inteligência que é atualmente responsável pela federação palestina de futebol.

O Fatah é o principal componente da Organização de Libertação da Palestina (OLP), interlocutora da comunidade internacional, que a considera a representante de todos os palestinos.

Os 1.400 membros do congresso votaram na sede da presidência em Ramallah, na Cisjordânia ocupada, mas também na Faixa de Gaza, de onde Israel não deixou dezenas de membros saírem.

Na abertura do Congresso, na terça-feira, Abbas, à frente do Fatah, da OLP e da Autoridade Palestina, foi reeleito como chefe do Partido e, portanto, do comitê central. Contou com uma unanimidade de votos.

Abbas, de 81 anos, foi eleito em 2005 para um mandato de quatro anos, mas segue no cargo por falta de eleições. Os observadores afirmam que prepara sua sucessão.

Para ele, o congresso do Fatah tem dois objetivos: afastar os adversários e escorar o controle do partido sobre as instâncias da Autoridade Palestina.

O comitê central - com cinco novos membros - já não inclui Mohamed Dahlan, eleito em 2009 antes de partir para o exílio e se tornar o adversário de Abbas.

Abbas comandaO sobrinho do falecido líder palestino Yasser Arafat, Nasser al-Qudwa, continua no comitê central. O ministro da Educação, Sabri Saidam, passa a integrá-lo e Nabil Shaath, um alto funcionário do partido, deixa ele.

O presidente deverá nomear quatro membros do comitê central, em data ainda desconhecida.

De acordo com especialistas, reduzindo o número de eleitores no congresso, cerca de 1.000 a menos do que em 2009, Abbas procurou anular a influência dos seguidores de Dahlan na votação.

Os participantes do congresso também elegeram 80 membros do conselho revolucionário, o Parlamento partido, aos quais se somarão outras 40 pessoas nomeadas por Abbas.

Com este congresso, Abbas "tem mostrado que ainda controla a Fatah e a Autoridade Palestiniana no que diz respeito as finanças e organização, e que pode usá-los para transmitir a sua visão", diz Wajih Abu Zarifa, professor de ciência política de Gaza.

Estas eleições são cruciais para o futuro dos palestinos e do processo de paz com Israel, já que este partido é a "espinha dorsal" da OLP.

No segundo dia do congresso, Abbas, que assinou os acordos de Oslo com Israel em 1993, voltou a defender o "diálogo" e "resistência pacífica" à ocupação israelense de um Estado palestino independente.

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