Italianos votam reforma constitucional chave para futuro de Renzi

Roma, 4 dez 2016 (AFP) - Cinquenta milhões de italianos estão convocados neste domingo às urnas para votar sobre uma controversa reforma constitucional, cujo resultado pode levar à renúncia do primeiro-ministro Matteo Renzi e afetar a estabilidade econômica da União Europeia.

A votação se converteu em um plebiscito sobre Renzi, no poder desde 2014, que decidiu submeter a um referendo as mudanças que propõe da Constituição, entre elas uma drástica redução dos poderes do Senado com o objetivo de facilitar a governabilidade e acelerar o processo legislativo.

Os colégios eleitorais abriram às 07h00 (04h00 de Brasília) e fecharão às 23h00 (20h00 de Brasília).

As primeiras estimativas de boca de urna serão divulgadas pouco depois do fechamento, seguidas pelos resultados oficiais ao longo da noite.

O referendo propõe o fim do sistema parlamentar até agora em vigor e a redução do número de assentos do Senado, de 300 a 100.

A incerteza pelo resultado gera nervosismo em toda a Europa e sobretudo nos mercados, que temem um novo período de instabilidade na terceira economia da Eurozona.

A maioria da classe política, da extrema-esquerda à extrema-direita, e inclusive críticos da própria formação de Renzi, o Partido Democrático (PD), se opõem a uma reforma que, segundo eles, colocaria muito poder nas mãos do chefe de governo.

O primeiro-ministro, que não perdeu nenhuma chance de defender a reforma em todos os meios de comunicação possíveis, a considera um "passo histórico" para modernizar a Itália e acelerar a atividade legislativa.

A campanha para a reforma se radicalizou nos últimos dias e foram proferidos insultos de todos os lados.

- Grillo contra Renzi -O líder carismático da formação populista Movimento Cinco Estrelas (M5S), o comediante Beppe Grillo, se converteu no porta-voz daqueles que se opõem à reforma, e no rival direto de Renzi.

Com uma linguagem franca, advertiu que pedirá eleições antecipadas em caso de vitória do "não".

"Se ganhar ou perder dá no mesmo, o país está dividido ao meio", concluiu Grillo.

A reforma de Renzi também provocou grandes críticas de prestigiosos intelectuais e especialistas na Constituição, que consideram as novas medidas "um retrocesso democrático" de cunho "autoritário".

"Se o 'sim' ganhar haverá ditadura e será melhor deixar o país", advertiu o primeiro-ministro Silvio Berlusconi (centro-direita), que retornou inesperadamente ao campo político, apesar de seus 80 anos e de seu delicado estado de saúde.

As últimas pesquisas, publicadas há duas semanas - na Itália estão proibidas nos 15 dias anteriores às eleições -, davam entre 5 e 8 pontos de vantagem para o "não", mas muitos eleitores ainda estavam indecisos sobre seu voto.

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