Eurogrupo adota medidas de alívio de curto prazo da dívida grega

Bruxelas, 5 dez 2016 (AFP) - Reunidos em Bruxelas, os ministros das Finanças da zona euro chegaram a um acordo, nesta segunda-feira (5), sobre medidas de "curto prazo" para alívio da dívida grega.

A dívida grega se encontra em torno de 180% do PIB.

"O Eurogrupo aprovou hoje o pacote completo de medidas de curto prazo", informam os 19 países da zona euro, em um comunicado divulgado após a reunião em Bruxelas.

Ainda longe do que foi reivindicado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), essas medidas - melhorias bastante técnicas sobre as taxas de juros e sobre o vencimento de algumas dívidas - "terão um impacto positivo sobre a viabilidade da dívida grega", afirma o Eurogrupo em um comunicado.

Consideradas de "curto prazo", porque podem ser aplicadas rapidamente, elas não custariam nada ao contribuinte europeu, mas teriam um impacto imediato limitado de algumas dezenas de milhões de euros, se comparadas aos 315 bilhões de euros da dívida atualmente.

Para o Eurogrupo, essas medidas, previstas desde maio, "terão um impacto positivo na viabilidade da dívida grega".

Os gregos esperavam, porém, ir mais longe hoje, com a discussão sobre medidas a longo prazo, mais eficazes.

De acordo com os ministros, essas medidas serão para depois que Atenas completar uma nova rodada de reformas no âmbito do terceiro plano de ajuda ao país. Os ministros não assinaram oficialmente a segunda revisão do terceiro plano de resgate, como se esperava, alegando que há algumas questões em aberto sobre os esforços gregos de reforma.

"Há umas três, ou quatro, questões que ainda estão abertas e devem ser discutidas, mas todos confirmam que houve progressos", indicou o ministro grego das Finanças, Euclides Tsakalotos.

Os ministros não conseguiram chegar a um acordo com a Grécia sobre o avanço das reformas em troca do programa de resgate.

"Ainda há trabalho a fazer", especialmente sobre a reforma trabalhista, indicou o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem.

"Nossas equipes viajarão rapidamente para Atenas para finalizar um acordo" sobre as reformas esperadas, afirmou o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pierre Moscovici.

Desde 2010, a Grécia está mergulhada em um resgate financeiro em troca de duras reformas reivindicadas por seus credores: a União Europeia (UE) e o Fundo Monetário Internacional.

O FMI se recusa a participar do terceiro plano de ajuda em vigor, se os europeus não discutirem uma redução decisiva da dívida grega. A demanda se choca com a posição linha-dura adotada por Alemanha e Holanda.

"É muito importante para todas as partes, incluindo o FMI, não pôr esses avanços em risco com mais incerteza", declarou o ministro Tsakalotos.

O conflito se refere ao número de 3,5% de excedente primário, sem contar os juros da dívida. Enquanto a Alemanha considera essa meta adequada para resolver a situação na Grécia, o FMI alega que é "irreal".

"Alguns falam de três anos, alguns de cinco, e outros, de dez", apontou Dijsselbloem, defendendo que, em qualquer uma dessas situações, "são necessários importantes ajustes estruturais para alcançar esses 3,5% e mantê-lo durante alguns anos".

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