Número 2 do chavismo acusa representante do Vaticano de ingerência

Caracas, 5 dez 2016 (AFP) - O número dois do chavismo, Diosdado Cabello, acusou o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, de ser desrespeitoso e de pretender tutelar a Venezuela, após uma carta sobre o diálogo com a oposição enviada pelo religioso ao governo.

"O Papa não mandou carta alguma, quem mandou uma carta foi o senhor Parolin. Falta de respeito, irresponsável, crer que, do Vaticano, vão tutelar a Venezuela", criticou Cabello, em um ato público nesta segunda-feira (5).

Ele se referia a uma carta dirigida ao presidente Nicolás Maduro e aos delegados do governo, assim como à oposição, na mesa de diálogo, a qual conta com o acompanhamento do Vaticano e da União de Nações Sul-Americanas (Unasul).

Cabello não revelou o conteúdo da carta, mas a imprensa local garante que, nela, Parolin "pede" a Maduro que cumpra uma série de acordos antes da terceira rodada de negociação, prevista para esta terça-feira.

"Você está enganado. Somos completamente livres e soberanos e não aceitamos tutela de ninguém", afirmou o deputado chavista.

Na última sexta-feira (2), sem se referir diretamente ao Vaticano, Maduro denunciou uma trama para "implodir" o diálogo.

Cabello acusou Parolin de ter-se transformado em um "militante" da oposição, no período em que foi núncio apostólico na Venezuela entre 2009 e 2013. Segundo ele, nesse intervalo, ele assistia a todas as reuniões dos adversários do governo.

"Não sei por que nos odeia. Respeite que nós não nos metemos com os padres acusados de pedofilia. São vocês que têm de acertar isso. Nós, os venezuelanos, solucionamos nossos problemas internos", insistiu.

O vice-presidente do partido de governo ressaltou que o Vaticano "não é nenhum mediador", mas "um convidado, um facilitador", motivo pelo qual "não tem nenhum direito a veto, nem a fazer propostas nem a inclinar sua posição" para qualquer uma das partes.

A coalizão Mesa da Unidade Democrática (MUD) condicionou sua continuidade na mesa de negociação, a que o governo cumpra uma série de compromissos, entre os quais está uma saída eleitoral para a crise política.

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