Rússia e EUA debaterão em Genebra retirada dos rebeldes de Aleppo

Alepo, Síria, 5 dez 2016 (AFP) - A Rússia anunciou nesta segunda-feira sua intenção de discutir com os Estados Unidos esta semana, em Genebra, a retirada de "todos os rebeldes" do leste de Aleppo, onde o regime segue ganhando terreno, uma proposta imediatamente rejeitada por vários grupos insurgentes.

Paralelamente, e pela sexta vez consecutiva após o início do conflito em 2011, Moscou vetou no Conselho de Segurança da ONU uma resolução sobre a Síria na qual se pedia uma trégua de ao menos sete dias na segunda cidade do país, devastada pela guerra.

O texto, apresentado por Espanha, Egito e Nova Zelândia, também foi vetado pela China.

Os combates em Aleppo, capital econômica da Síria antes da guerra, se intensificaram nesta segunda-feira, com o Exército avançando sobre o estratégico bairro de Shaar.

Com a tomada de Shaar, o regime passaria a controlar 70% dos bairros que estavam desde 2012 em poder dos rebeldes.

Os rebeldes dispararam nesta segunda dezenas de foguetes contra a parte de Aleppo sob o controle do regime, matando oito civis sírios e um médico russo que trabalhava em um hospital de campanha, segundo Moscou.

Após o veto, o embaixador russo no Conselho de Segurança, Vitali Churkin, avaliou que o órgão deveria ter esperado os resultados de uma reunião entre russos e americanos em Genebra.

Segundo Moscou, o objetivo das conversas é alcançar um plano papra fazer sair todos os rebeldes do leste de Aleppo, a segunda cidade do país, assediada pelas forças do regime.

"Há acordo nos elementos de base" desta iniciativa, que foi rejeitada pelos grupos insurgentes de Aleppo, disse Churkin.

Mas a embaixadora adjunta americana Michele Sison disse, ao contrário, que não há "avanços" nas discussões russo-americanas "porque a Rússia quer conservar suas conquistas militares".

"Não deixaremos a Rússia enganar o Conselho", acrescentou.

O projeto de resolução pedia uma trégua de pelo menos sete dias em Aleppo, com opção de renová-la.

Também previa "responder às necessidades humanitárias urgentes" e deixar entrar os serviços de socorro destinados a dezenas de milhares de moradores da parte rebelde sitiada.

Após o anúncio de Moscou, vários grupos rebeldes afirmaram que lutarão até a "última gota de sangue" em Aleppo, e rejeitaram um eventual acordo de retirada a partir da reunião entre Moscou e Washington.

"Os revolucionários não abandonarão Aleppo Leste, combaterão a ocupação russa e iraniana até a última gota de sangue", disse à AFP Abu Abdel al Rahman al Hamui, um dirigente do grupo Jaish al Islam.

"São os russos que devem partir de Aleppo", disse Yasser al Yussef, do grupo Nuredin al Zinki.

A metrópole do norte da Síria, capital econômica do país, estava dividida desde 2012 entre os bairros do oeste, controlados pelo governo, e os do leste, nas mãos dos rebeldes.

O exército do presidente sírio, Bashar Al Assad, lançou uma grande ofensiva em 15 de novembro passado para retomar toda a cidade.

Desde seu início, em março de 2011, a guerra civil síria matou mais de 300.000 pessoas.

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