Americanos desiludidos pedem no Twitter que Trump deporte ex-companheiros

Miami, 6 dez 2016 (AFP) - Uma nova forma de se vingar de um relacionamento que acabou mal invade o Twitter. Usuários nos Estados Unidos estão pedindo ao presidente eleito americano, Donald Trump, um intenso usuário desta rede social, que deporte seus ex-companheiros, divulgando sua situação de ilegais e seus endereços.

"Espero que Donald Trump não deporte o meu ex, que é salvadorenho e mora em (...) perto de Orlando, na Flórida", escreveu @Girl_TalkUSA. A autora do post dá o endereço completo do alvo de seu rancor, o qual a AFP prefere omitir.

O presidente eleito prometeu em sua campanha ser rígido contra a imigração ilegal e assegurou, ao vencer as eleições, que deportará três milhões de pessoas nesta situação.

Estas promessas aumentaram os temores dos imigrantes em situação irregular de serem deportados: várias universidades estão se anunciando como "santuários" para os americanos em situação irregular e as consultas a organizações de direitos humanos e a advogados especializados em imigração têm aumentado.

Neste contexto, algumas pessoas têm se aproveitado do clima anti-imigração para atacar ex-companheiros no Twitter, mencionando diretamente o presidente eleito com seu nome de usuário, @realDonaldTrump.

"Oh, não! Trump, por favor, não deporte meu ex-namorado Sérgio, que mora em (...) em Davie, Flórida, apartamento (...)", escreveu @Marco_Rosano.

Sempre com o mesmo tom de deboche em um aparente desejo do contrário, usuários de Flórida, Nova York, Califórnia, Texas e de vários outros estados do país estão aderindo à mesma brincadeira.

"Tenho medo de que Trump possa deportar minha ex-namorada ilegal sueca, que me traiu duas vezes e mora em (...) e esconde uma chave debaixo do tapete", escreveu outro usuário.

Tuítes como estes abundam. E acontecem no âmbito de um aumento do assédio aos imigrantes ilegais nos Estados Unidos.

Em um centro comunitário em Staten Island, Nova York, por exemplo, um grupo de ilegais denunciou na noite de segunda-feira o caso de um idoso americano que persegue as pessoas em seu carro, aos gritos de "volte ao seu país!" e "os imigrantes não têm nada o que fazer aqui!".

Segundo o Southern Poverty Law Center, um observatório do extremismo, nos dez dias que se seguiram às eleições de 8 de novembro, foram reportados 867 incidentes racistas ou xenófobos em todo o país.

Destes, 280, ou seja, 32%, foram motivados por sentimentos anti-imigração, informou a ONG em um relatório publicado na semana passada.

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