Bernard Cazeneuve, o homem de confiança do presidente francês

Paris, 6 dez 2016 (AFP) - O novo primeiro-ministro francês, Bernard Cazeneuve, é um homem de confiança do presidente François Hollande, conhecido por seu sangue frio, como ficou demonstrado durante a onda de ataques terroristas nos últimos dois anos.

Este advogado de 53 anos, um membro do círculo de confiança do presidente francês, substitui Manuel Valls como chefe de governo, depois que este último anunciou sua renúncia para se dedicar à campanha eleitoral para as eleições presidenciais de abril-maio de 2017.

Não é a primeira vez que este homem leal e discreto assume o cargo de Valls. Em 2014, ele o substituiu à frente do ministério do Interior quando Valls, um espanhol naturalizado francês, foi promovido ao cargo de primeiro-ministro.

Cazeneuve, escolhido pela revista GQ como o homem mais bem vestido da França, era quase desconhecido do público quando em 2012 se tornou um porta-voz da campanha presidencial de Hollande.

Uma vez eleito, Cazeneuve tornou-se o "canivete suíço" de Hollande durante todo o seu mandato de cinco anos, passando de um posto a outro para lidar com situações de emergência de todos os tipos.

"O homem das missões difíceis", como é chamado pelo jornal Le Monde, substituiu Jérôme Cahuzac como ministro do Orçamento quando o político se viu envolvido em um caso de fraude fiscal.

No ministério do Interior teve de lidar com a pior onda de ataques extremistas na história recente da França (238 mortos desde 2015). O país está em estado de emergência há mais de um ano.

Foi alvo de uma avalanche de críticas após o atentado de Nice (sudeste da França) em 14 de julho (86 mortos). A polêmica sobre supostas falhas no dispositivo de segurança mobilizado na noite do ataque ofuscou a sua imagem de competência e firmeza.

Apesar dos apelos para que renunciasse, especialmente vindos da extrema-direita, Cazeneuve se recusou a fazê-lo.

"Não se abandona o combate ao terrorismo", proclamou.

Nas últimas semanas, ele também teve que lidar com as enormes manifestações organizadas pela polícia. Após o ataque brutal com coquetéis molotov contra agentes da polícia na região de Paris no início de outubro, milhares de policiais protestaram em toda a França para pedir mais recursos. O governo acabou por ceder às suas exigências.

Cazeneuve também esteva na linha de frente da crise migratória que atinge a Europa e gerenciou o desmantelamento do maior acampamento informal de migrantes da França, conhecido como a "Selva" de Calais, em frente à costa britânica.

"Ele enfrentou verdadeiras tempestades", apontou um alto funcionário. "Foi atingido de uma só vez por tudo aquilo que em 50 anos seus antecessores compartilharam (terrorismo em massa, crise migratória, agitação social)", afirma Patrice Ribeiro, do Synergie (segundo sindicato de oficiais da polícia francesa), que o descreve como um ministro "duro, mas justo".

Agora, Bernard Cazeneuve está à frente de um governo com uma vida limitada, que deverá conduzir a França nos próximos cinco meses até as eleições presidenciais.

bur-meb.

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