Chegada de Trump não muda compromisso dos EUA com Otan, diz Kerry

Bruxelas, 6 dez 2016 (AFP) - A chegada do republicano Donald Trump à Casa Branca não mudará o compromisso dos EUA com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) - declarou nesta terça (6) o secretário de Estado americano, John Kerry, tentando tranquilizar os sócios europeus em sua última viagem oficial ao continente.

"A mudança de governo nos Estados Unidos [em 20 de janeiro] não mudará o inquebrantável compromisso dos Estados Unidos com esses ideais, com nossas obrigações na Otan", afirmou Kerry, em Bruxelas, onde se encontra para uma reunião de chanceleres da Aliança Atlântica.

As declarações de Trump durante a campanha eleitoral levantaram dúvidas na Europa sobre a continuidade do apoio americano a seus aliados da Otan, caso não aumentem seu gasto militar na organização.

"O compromisso dos Estados Unidos com a Otan e com o artigo 5 transcende a política", declarou Kerry, referindo-se ao artigo que determina o apoio dos membros da Aliança Atlântica a qualquer um de seus sócios em caso de ataque.

O artigo 5 foi invocado apenas uma vez: depois dos atentados do 11 de Setembro, em 2001, nos Estados Unidos.

"Confio em algumas pessoas que vi até agora", disse Kerry, em alusão ao futuro secretário da Defesa, o general reformado James Mattis, uma indicação bem acolhida por democratas e por republicanos.

"No fim das contas, o senso comum prevalecerá", insistiu John Kerry, que voltou a defender o acordo sobre o programa nuclear iraniano e o de Paris, sobre o Clima, ambos firmados em 2015, no governo de Barack Obama.

Reforço da cooperação Otan-UEA reunião de chanceleres foi dedicada às relações transatlânticas e ao reforço da cooperação entre UE e Otan, frente à ameaça que a Rússia simbolizaria no flanco leste da aliança, assim com diante do perigo representado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), no sul.

A melhor maneira de dissipar as preocupações surgidas na Europa com a vitória de Donald Trump é "reforçar a cooperação entre a UE e a Otan", considerou o secretário-geral da Aliança Atlântica, Jens Stoltenberg.

Na presença da chefe da diplomacia do bloco, a italiana Federica Mogherini, os ministros das Relações Exteriores dos 28 países da Otan aprovaram hoje cerca de 40 medidas sobre uma cooperação reforçada com a UE. Os princípios desse acordo foram estabelecidos na cúpula da Aliança Atlântica em Varsóvia, em julho.

Essas medidas cobrem um amplo leque, indo da luta contra o cibercrime ao terrorismo, passando por uma melhor coordenação das manobras militares e pelos meios compartilhados para lutar contra o tráfico de seres humanos no Mediterrâneo.

Membros da UE, mas não da Otan, e vizinhos da Rússia, Finlândia e Suécia participaram da reunião por se considerarem mais vulneráveis desde a anexação por parte de Moscou, em 2014, da então península ucraniana da Crimeia.

Como exemplo de cooperação entre UE e Otan, Stoltenberg destacou a criação oficial em 2017 em Helsinki de um centro europeu de luta contra as "ameaças híbridas". Com isso, uma rede de especialistas e de representantes dos países-membros de ambos os blocos poderão se informar sobre novos ataques, ou ameaças.

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