Com Trump em mente, Obama faz balanço de sua política antiterrorista

Washington, 7 dez 2016 (AFP) - Barack Obama apresentou nesta terça-feira, pela última vez, sua visão da luta antiterrorista no mundo, em um discurso que também é uma mensagem ao seu sucessor, Donald Trump, que até agora se mostrou evasivo sobre sua estratégia, em particular diante do grupo Estado Islâmico.

A partir da base aérea MacDill (Tampa, Flórida), sede do comando das forças especiais, mas também das forças no Oriente Médio (Centcom), o presidente americano reivindicou uma ruptura com os anos de George W. Bush (2001-2009), recordando que ordenou a retirada de soldados americanos do Iraque e do Afeganistão.

"Em vez de colocar toda a responsabilidade nas tropas americanas, construímos uma rede de aliados", destacou o presidente.

Obama recordou ainda a bem sucedida operação contra o chefe da Al-Qaeda, Osama bin Laden, em 2011, e afirmou que hoje a organização não passa de "uma sombra de si mesma".

"Mas a ameaça terrorista permanece real", advertiu o presidente, apontando para as "falsas promessas" dos que pretendem acabar com o risco terrorista de um dia para o outro.

Obama defendeu os fundamentos de sua estratégia de combate ao grupo Estado Islâmico, afirmando que a organização que pretendia fundar um califado entre Iraque e Síria "já perdeu a metade de seu território (...) vê seu recrutamento secar e a população se revoltar contra ela".

"Em resumo: estamos debilitando o EI".

Trump, que ainda não designou seu futuro secretário de Estado, manteve durante a campanha eleitoral certa imprecisão sobre o modo como cogita combater a organização extremista.

O milionário republicano disse que assim que chegar à presidência, no dia 20 de janeiro, solicitará à liderança militar um projeto detalhado para vencer o EI. "Terão 30 dias para entregar no Salão Oval um plano para vencer o grupo EI de maneira absoluta e rápida".

- Tortura e muçulmanos -Em seu último discurso sobre a posição dos Estados Unidos no mundo, Obama insistiu no respeito à lei e à identidade americana.

"Devemos ser fiéis a nossos valores e nos apegar à lei. No longo prazo é nossa maior fortaleza", disse o presidente de 54 anos, longamente aplaudido.

"Proibimos a tortura", assinalou, recordando que ninguém da sua equipe concluiu que isto teve efeito negativo na inteligência americana.

Obama insistiu em várias ocasiões que estes métodos de interrogatório são, além de ineficazes, contrários aos valores políticos democráticos e haviam "erodido a reputação dos Estados Unidos no mundo".

Durante a campanha eleitoral, Trump provocou grande polêmica, incluindo no seio de seu Partido Republicano, ao se declarar favorável a recorrer ao afogamento controlado (método conhecido como "submarino", que consiste em submergir à força em um recipiente com líquido a cabeça de um prisioneiro).

Desde que foi eleito, Trump deu a entender que poderia mudar de postura sobre a tortura devido à influência do general James Mattis, que acaba de ser designado secretário de Defesa.

Obama concluiu seu discurso com uma advertência para seu sucessor, que durante a campanha também propôs a proibição temporária da entrada de muçulmanos nos Estados Unidos.

Os jihadistas "não falam em nome dos mais de um bilhão de muçulmanos". "Os Estados Unidos não são um país que exigem provas de fé como preço pela liberdade".

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