Merkel inicia a batalha das eleições de 2017

Essen, Alemanha, 6 dez 2016 (AFP) - A chanceler Angela Merkel lançou nesta terça-feira a batalha das legislativas de 2017, quando tentará um quarto mandato, adotando um tom firme sobre a migração para conter o avanço do populismo, e virar a página de sua generosa política de acolhimento de refugiados.

Quase mil delegados da União Democrata Cristã (CDU) reunidos em um congresso em Essen (oeste) reconduziram Merkel como presidente do partido, duas semanas depois da chanceler ter anunciado a intenção de tentar um novo mandato como chefe de Governo.

"Uma situação como essa do verão de 2015 não pode e não deve se repetir", assegurou Merkel em referência ao grande fluxo de quase 900.000 refugiados que chegou na Alemanha no decorrer do ano.

Esta situação mexeu profundamente com a sociedade, dividida entre a generosidade e a preocupação. A chanceler testemunhou, por sua vez, uma queda na popularidade e um forte aumento das críticas, mesmo dentro do seu partido.

Proibição ao véu integralDurante seu discurso de 75 minutos, Angela Merkel se mostrou firme na defesa dos valores da Alemanha e da Europa, afirmando querer proibir o véu integral, um fenômeno marginal na Alemanha, "nos locais onde é juridicamente possível".

Seu ministro do Interior, Thomas de Maizière, já havia apresentado um projeto neste sentido, proibindo a vestimenta islâmica que esconde o rosto na administração pública, escolas, universidades e tribunais.

Ela também insistiu que "a lei alemã prevalece sobre a sharia" (lei islâmica).

A CDU também deve decidir durante este Congresso sobre a sensível questão da expulsão de requerentes de asilo.

Angela Merkel foi reeleita pela 9ª vez presidente da CDU, um partido que dirige há 16 anos.

Depois de 11 anos no poder, a chanceler é a governante mais longeva nos países ocidentais e se aproxima dos recordes nacionais de Konrad Adenauer (14 anos) e de seu mentor Helmut Kohl (16 anos).

Única candidata ao comando da CDU, Merkel, 62 anos, discursou para os partidários.

Conter o populismoOvacionada por seus pares, ela é apresentada como a principal arma contra a ascensão do populismo, após as vitórias de Donald Trump e do Brexit, e alertou para "soluções simplistas" oferecidas pelas direitas populistas e extremistas.

"O mundo não é preto e branco", disse a chanceler, sem mencionar diretamente o crescimento rápido e sem precedentes da direita populista Alternativa para a Alemanha (AFD), creditado com 12% a 13% das intenções de votos.

"Devemos permanecer céticos em relação a respostas simplistas" porque "raramente fazem avançar nosso país", disse ela.

A AFD prospera sobre as preocupações de uma parte da população, especialmente na ex-RDA, que se sente socialmente rebaixada. Este partido adotou uma retórica anti-Islã e anti-imigrante virulenta.

Merkel advertiu, neste contexto, mais uma vez que a campanha seria a mais difícil desde a reunificação em 1990.

"Não vai ser divertido!", afirmou, apontando para uma "forte polarização da nossa sociedade".

Depois de um mergulho nas pesquisas no final do ano passado e início de 2016 relacionado com a crise de refugiados, a CDU voltou para os trilhos. Desde o anúncio da candidatura de Merkel, o partido subiu nas pesquisas, com 37%, contra 22% para os social-democratas.

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