Regime sírio segue avançando em Aleppo

Alepo, Síria, 6 dez 2016 (AFP) - As forças do regime sírio conquistaram nesta terça-feira mais de três quartos da parte leste de Aleppo, nas mãos dos rebeldes há quatro anos, em especial o distrito-chave de Chaar.

Enquanto as forças do governo avançam de forma inexorável na parte oriental da segunda cidade síria, principal front do conflito, Moscou e Washington se acusam mutuamente de bloquear qualquer tentativa de acabar com os combates sangrentos.

Três semanas depois do início de sua grande ofensiva para reconquistar a totalidade de Aleppo, as forças do regime, apoiadas por combatentes iranianos e libaneses do Hezbollah, conseguiram conquistar uma dezena de bairros rebeldes nos últimos dias.

Nesta terça-feira, tomaram o importante bairro de Char, e outros sete distritos, entre eles Dahret Awwad, Jouret Awwad, Karml al-Jabal e Karm al-Beik, que estão na parte central de Aleppo Oriental, indicou à AFP Rami Abdel Rahmane, diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Char "é o bairro residencial mais importante do coração de Aleppo-leste", disse Rahmane.

Com sua perda, "os rebeldes ficarão encurralados na parte sudeste (de Aleppo) e o regime poderá acentuar a guerra de usura" contra eles, afirmou.

Asfixiados pelo poder de fogo do regime, que avança à força de bombardeios, bairros de explosivos e disparos de obuses, os insurgentes estão confinados no setor meridional de Aleppo-leste, com milhares de famílias sitiadas.

O regime controla agora mais de 75% do leste da cidade.

Diálogo de surdosA chanceler alemã, Angela Merkel, classificou nesta terça-feira de vergonhosa a incapacidade da comunidade internacional de ajudar a cidade síria de Aleppo, antiga capital econômica do país.

"Aleppo é uma vergonha (...), é uma vergonha que não tenhamos conseguido estabelecer corredores humanitários, mas devemos seguir lutando", disse.

Na segunda-feira, Moscou anunciou diálogos para breve entre russos e americanos em Genebra, Suíça, previstas na terça e na quarta-feira para tentar a evacuação dos rebeldes de Aleppo. Mas a reunião foi anulada devido às divergências entre as duas potências.

Os Estados Unidos se negam a falar "seriamente" sobre Aleppo, denunciou nesta terça-feira o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

Seu contraparte americano, John Kerry, cujo país apoia as forças da oposição a Assad, desmentiu as acusações e defendeu a reativação das negociações entre o regime e a oposição.

"A Rússia diz que Assad está disposto a vir à mesa (de negociações) e eu sou partidário de tentá-lo, inclusive se Aleppo cair", disse Kerry, que deveria se reunir com Lavrov na quarta ou na quinta-feira na cidade alemã de Hamburgo, onde será realizada a reunião anual da Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa (OSCE).

Na segunda-feira, no Conselho de Segurança da ONU, a Rússia vetou, juntamente com a China, uma resolução que pedia uma trégua de pelo menos sete dias em Aleppo.

O governo de Damasco afirmou nesta terça-feira que repudia qualquer trégua na Síria se não houver uma retirada de todos os rebeldes da cidade.

"A Síria não deixará seus cidadãos do leste de Aleppo reféns dos terroristas e fará tudo o possível para libertá-los", indicou em um comunicado o ministério das Relações Exteriores sírio.

"Portanto, repudia qualquer tentativa" de "instaurar um cessar-fogo em Aleppo leste que não preveja a saída de todos os terroristas", indicou em um comunicado.

Uma vitória para o regimeUma saída dos rebeldes de Aleppo representaria uma vitória para o regime do presidente sírio Bashar al-Assad, já que os rebeldes perderiam, assim, seu principal reduto na Síria, e conservariam apenas o controle da província vizinha de Idleb e de alguns setores perto de Damasco e no sul.

Para aumentar a pressão contra os rebeldes, o regime e seu aliado russo multiplicaram nos últimos dias os ataques aéreos contra seus redutos em Idleb, no noroeste do país, onde na terça-feira morreram 25 civis, segundo o OSDH.

Estima-se que antes da ofensiva de Damasco o número de combatentes anti-regime em Aleppo Oriental fosse de entre 8.000, segundo a ONU, e 15.000, de acordo com o OSDH. Mas, após quatro anos de resistência, estes grupos já não conseguem se opor à superioridade aérea e terrestre das forças pró-regime.

O número de rebeldes mortos desde o início da última ofensiva é desconhecido. Mas, desde então, ao menos 341 civis morreram, entre eles 44 crianças, enquanto mais de 50.000 dos 250.000 habitantes de Aleppo Oriental fugiram, segundo o OSDH.

Além disso, 81 pessoas, entre elas 31 crianças, morreram nos bairros governamentais de Aleppo, por disparos rebeldes, que também provocaram a morte de dois médicos russos que trabalhavam em um hospital de campanha, segundo Moscou.

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