Especialistas ainda identificam vítimas 75 anos após ataque de Pearl Harbor

Washington, 7 dez 2016 (AFP) - Especialistas seguem trabalhando para identificar os restos mortais das vítimas do ataque surpresa realizado há 75 anos pelo exército japonês contra a base americana de Pearl Harbor, no Havaí, que matou 2.403 americanos.

Crânios, ossos e dentes recuperados nos anos seguintes ao ataque foram considerados não identificáveis, mas graças aos avanços científicos, especialmente no que diz respeito à tecnologia de DNA, dezenas deles deixaram de ser anônimos.

No ano passado, o Pentágono ordenou a exumação dos restos mortais de 388 americanos mortos a bordo do "USS Oklahoma", atacado com torpedos, quando estava atracado à doca. Ele adernou, aprisionando em seu interior centenas de marinheiros.

Em 7 de dezembro de 1941, o ataque japonês afundou quatro navios de guerra americanos no porto do arquipélago havaiano e danificou outros quatro.

Centenas de marinheiros e fuzileiros navais afundaram em seus navios, enquanto outros, vítimas de explosões e incêndios, ficaram irreconhecíveis.

Os restos mortais de 388 soldados do "USS Oklahoma", enterrados em valas comuns, foram exumados de um cemitério em Honolulu e levados para locais próximos da agência militar DPAA, onde trabalham especialistas odontológicos e antropólogos. Até agora, eles conseguiram identificar 53 pessoas.

"Fazemos identificações quase diariamente", afirmou Debra Zinni, antropóloga especializada em medicina legal e chefe do laboratório da DPAA.

Vários ossos estão bem preservados, apesar das décadas que passaram sob a terra e, inclusive, meses e anos que estiveram submersos na água.

Zinni indicou que o bom estado de conservação se deve à grande quantidade de hidrocarbonetos vazados no porto pelas embarcações destruídas, que "saturaram os esqueletos e os preservaram muito bem".

"Isso evitou a proliferação de bactérias. A taxa de extração de DNA é extremamente elevada", comentou a especialista.

- Quebra-cabeças macabro -O último identificado do "USS Oklahoma" foi o marine-bombeiro de primeira classe Jim Johnston, de 23 anos, originário de Wesson (em Mississippi), graças ao DNA de dois sobrinhos compatível com seus restos dentários.

O DNA também permitiu identificar os restos de dezenas de homens que estavam em caixões. Seus restos mortais foram reagrupados por tipo de ossos na falta de uma forma mais precisa para identificá-los.

O oceano também teve um papel nesse incrível quebra-cabeças gigante, uma vez que levou as partes dos esqueletos a se misturaram uns aos outros.

Com 1.177 tripulantes mortos, o navio "USS Arizona" foi mais afetado ainda que o "USS Oklahoma" e se converteu em um monumento nacional. Ele se encontra no mesmo lugar onde afundou.

No final de outubro, o Pentágono aprovou a exumação de 34 túmulos associados à tripulação do "USS West Virginia" em uma tentativa de identificar os restos.

Vários familiares e descendentes dos desaparecidos entregaram mostras de DNA para estabelecer os vínculos biológicos. Se os testes tiverem êxito, serão entregues a suas famílias e terão funerais com honras militares.

Jim Johnston foi enterrado na terça em sua cidade natal. "Apesar de acontecer há 75 anos, isso ainda não terminou", declarou Natasha Waggoner, porta-voz da DPAA.

Os esforços da DPAA de Pearl Harbor são apenas uma parte do compromisso do Exército americano de tentar identificar os soldados desaparecidos durante os conflitos que remontam até a Segunda Guerra Mundial.

O departamento de Defesa envia a cada ano especialista em medicina legal a locais isolados do Pacífico em busca dos tripulantes desaparecidos.

No ano passado, encontraram os restos de três aviadores cuja aeronave caiu na Malásia pouco antes do final da guerra.

Mais de 400.000 soldados americanos perderam a vida durante a Segunda Guerra Mundial e 73.117 continuam desaparecidos.

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