Forças iraquianas avançam em Mossul, onde extremistas resistem

Bartalla, Iraque, 7 dez 2016 (AFP) - As forças iraquianas enfrentavam nesta quarta-feira forte resistência dos extremistas em Mossul, onde realizaram um avanço importante em direção ao rio Tigre, que divide a segunda cidade do Iraque, principal reduto dos extremistas.

Além disso, no oeste do país, perto da fronteira com a Síria, um bombardeio ataque matou e deixou feridos dezenas de civis na cidade de Al Qaim, nas mãos do grupo Estado Islâmico, segundo o porta-voz do Parlamento iraquiano, Salim Juburi, que pediu ao governo para abrir uma investigação para esclarecer este "erro".

Desconhece-se por enquanto a autoria do ataque aéreo, que nem o governo nem o exército tinham anunciado na noite de quarta-feira. Tampouco foi possível obter um balanço preciso das vítimas.

No norte do país, os combates na região de Mossul continuavam alimentando o êxodo de civis, cada vez mais numerosos, a deixarem suas casas para se refugiar nos campos de deslocados, onde as noites podem ser glaciais.

Nesta quarta-feira, o exército iraquiano tomou no leste de Mossul o hospital Al Salam, usado como centro de comando pelo EI.

A 9ª Divisão Blindada do exército ocupou o hospital localizado na margem sudeste do Tigre, rio que cruza Mossul, segundo as fontes.

Mas, de acordo com um oficial, essas tropas foram cercadas pelos jihadistas. Forças de elite do Serviço de Contraterrorismo (CRS) foram deslocadas como reforço para romper o sítio.

"Nossas forças solucionaram a situação no hospital Al Salam. Nossa missão era apoiar as forças da 9ª Divisão, cercadas no estabelecimento, e nossas forças a cumpriram, abrindo-lhes passagem", declarou Maan Saadi, um comandante das CTS.

Segundo ele, o exército controla uma posição situada ao redor de um quilômetro do hospital.

A progressão do exército é a maior já registrada na parte leste de Mossul desde o início, em 17 de outubro, da grande ofensiva para retomar a cidade das mãos dos extremistas.

A agência Amaq, órgão de propaganda do EI, afirmou que os extremistas lançaram cinco ataques suicida a bomba nas últimas 24 horas.

Nenhum balanço de vítimas foi informado até o momento.

Avanço lentoSete semanas após o início de sua ofensiva, o exército controla apenas metade da parte leste de Mossul e seu avanço diminuiu em novembro.

Especialistas tinham previsto uma resistência menor no leste de Mossul, o que impede cumprir com o objetivo de tomar a cidade antes do fim do ano, como tinha prometido o premiê Haider al Abadi.

As unidades de Mobilização Popular (UMP), de Hachd al-Chaabi, força paramilitar pró-governo dominada por milícias xiitas, conquistaram terreno a oeste de Mossul. Elas procuram tomar a localidade de Tal Afar, na estrada de Mossul para a Síria.

As forças leais marcaram vitórias ao sul e ao norte da cidade desde o lançamento de sua ofensiva. Mas o seu avanço diminuiu nos últimos dias, sendo um dos principais obstáculos a presença de centenas de milhares de pessoas na cidade.

O número de deslocados em razão da ofensiva em Mossul ainda é menos da metade do que o esperado pelas Nações Unidas antes do início da operação. O número chega a mais 82.000, disse a ONU nesta quarta-feira.

Em seu novo relatório, a ONU relatou um número crescente de vítimas civis, enquanto as forças iraquianas realizam as suas operações de casa em casa em busca de extremistas que possam se esconder e ao mesmo tempo para proteger os civis.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicou que "os parceiros estavam trabalhando para fornecer ajuda o mais perto possível das linhas de frente para dar a melhor chance de sobrevivência para os civis feridos".

O OCHA também informou que obras estava em andamento para reparar infraestruturas de água e eletricidade no leste de Mossul, onde considerou "crítica" a escassez de água corrente.

Centenas de milhares de pessoas estão privadas de água potável há vários dias, e são forçadas a ferver a água de poços para sobreviver.

A situação dos deslocados em campos espalhados em torno de Mossul também é alarmante, com a chegada do inverno.

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