Forças iraquianas avançam em Mossul, onde os extremistas resistem

Bartalla, Iraque, 7 dez 2016 (AFP) - As forças iraquianas enfrentavam nesta quarta-feira forte resistência dos extremistas em Mossul, onde realizaram um avanço importante em direção ao rio Tigre, que divide a segunda cidade do Iraque.

Estes combates continuam a forçar um número crescente de pessoas a deixar suas casas para procurar refúgio nos campos de deslocados, onde as noites podem ser geladas.

Os combatentes do grupo Estado Islâmico (EI) lutam contra o exército que tomou o controle de um hospital que servia de centro de comando para os extremistas, de acordo com oficiais.

A 9ª Divisão Blindada do exército anunciou que assumiu o hospital Al-Salam, no sudeste de Mossul. Mas, de acordo com um oficial, essas tropas foram cercadas pelos jihadistas e esperam apoio das forças de elite.

A progressão do exército é a maior já registrada na parte leste de Mossul desde o início, em 17 de outubro, da grande ofensiva para retomar a cidade das mãos dos extremistas.

"Fizemos progressos no bairro de Al-Salam, mas a situação é difícil, há intensos combates", disse à AFP o general Chaker Kadhim.

Atiradores do EI foram emboscados nos andares superiores e no telhado do edifício de cinco andares com vista para o bairro, disseram moradores.

A agência Amaq, órgão de propaganda do EI, afirmou que os extremistas lançaram cinco ataques suicida a bomba nas últimas 24 horas.

Nenhum balanço de vítimas foi informado até o momento.

Avanço lentoSete semanas após o início de sua ofensiva, o exército controla apenas metade da parte leste de Mossul e seu avanço diminuiu em novembro.

As operações são conduzidas em parte pelas forças de elite do Serviço de Contra-terrorismo (CTS), que assumiram vários bairros na parte oriental.

Seu objetivo é agora, de acordo com o general Kadhim, chegar ao ponto mais ao sul das cinco obras que abrangem o Tigre no centro de Mossul.

Oficiais e especialistas esperavam uma resistência menor na parte lesta, e uma reconquista de Mossul, no final do ano, como prometido pelo primeiro-ministro Haider al-Abadi, parece cada vez mais incerto.

As unidades de Mobilização Popular de Hachd al-Chaabi, força paramilitar pró-governo dominada por milícias xiitas, conquistaram terreno a oeste de Mossul. Elas procuram tomar a localidade de Tal Afar, na estrada de Mossul para a Síria.

As forças leais marcaram vitórias ao sul e ao norte da cidade desde o lançamento de sua ofensiva. Mas o seu avanço diminuiu nos últimos dias, sendo um dos principais obstáculos a presença de centenas de milhares de pessoas na cidade.

O número de deslocados em razão da ofensiva em Mossul ainda é menos da metade do que o esperado pelas Nações Unidas antes do início da operação. O número chega a mais 82.000, disse a ONU nesta quarta-feira.

Em seu novo relatório, a ONU relatou um número crescente de vítimas civis, enquanto as forças iraquianas realizam as suas operações de casa em casa em busca de extremistas que possam se esconder e ao mesmo tempo para proteger os civis.

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indicou que "os parceiros estavam trabalhando para fornecer ajuda o mais perto possível das linhas de frente para dar a melhor chance de sobrevivência para os civis feridos".

O OCHA também informou que obras estava em andamento para reparar infraestruturas de água e eletricidade no leste de Mossul, onde considerou "crítica" a escassez de água corrente.

Centenas de milhares de pessoas estão privadas de água potável há vários dias, e são forçadas a ferver a água de poços para sobreviver.

A situação dos deslocados em campos espalhados em torno de Mossul também é alarmante, com a chegada do inverno.

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