Para Assad, vitória em Aleppo pode mudar curso da guerra

Alepo, Síria, 8 dez 2016 (AFP) - O presidente sírio, Bashar Al Assad, afirmou nesta quarta-feira que uma grande vitória em Aleppo representaria um "grande passo" rumo ao fim da guerra na Síria, depois que suas tropas conquistaram a Cidade Antiga e a maioria dos bairros rebeldes da segunda cidade do país.

Sitiados e encurralados nos últimos setores controlados por eles na parte leste de Aleppo, os rebeldes sírios solicitaram nesta quarta-feira um cessar-fogo imediato de cinco dias e a evacuação dos civis.

Seis países ocidentais, inclusive França, Estados Unidos e Reino Unido também solicitaram uma trégua diante da catástrofe humanitária na parte leste de Aleppo.

Estes países também condenaram, em uma declaração comum, a atuação do regime sírio e de seus parceiros estrangeiros, em particular "a obstrução sistemática da Rússia" nos esforços internacionais para por um fim à guerra na Síria.

O projeto de cessar-fogo foi abordado esta noite, em Hamburgo (Alemanha), pelos chefes da diplomacia americana, John Kerry, e russa, Serguei Lavrov, cujo país apoia militarmente o regime sírio, embora não tenham ocorrido avanços reais.

"Evidentemente, falamos da situação terrivelmente difícil em Aleppo e trocamos algumas ideias. Temos a intenção de retomar o contato [na quinta-feira] pela manhã para ver onde estamos", disse Kerry após uma reunião de uma hora com seu contraparte russo.

Em vista das declarações de Assad em entrevista ao jornal sírio Al Watan, que será publicada nesta quinta-feira, aparentemente não há muitas possibilidades de que estes apelos à trégua possam ter sucesso.

"No terreno [em Aleppo] não há trégua" hoje, disse Assad. "É verdade que Aleppo será uma grande vitória para nós, mas sejamos realistas, isto não significará o fim da guerra. Mas será um grande passo rumo ao final".

Para Assad, uma derrota dos rebeldes "marcará uma reviravolta na guerra", pois Aleppo é o principal front deste conflito, que deixou desde março de 2011 mais de 300 mil mortos e obrigou mais da metade da população a deixar suas casas.

O avanço das tropas governamentais no que era um dos principais redutos rebeldes provocou o êxodo de 80.000 civis desde o início da ofensiva, em 15 de novembro passado, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Situação 'dolorosa'O exército sírio entrou na parte antiga da cidade, depois de ocupar os bairros adjacentes de Bab al Hadid e Aqyul, no leste da famosa cidadela que sempre esteve nas mãos do governo.

O avanço do exército, apoiado por combatentes procedentes de Irã e Líbano, é apoiado por intensos bombardeios aéreos contra as zonas ainda controladas pelos rebeldes, entre elas o bairro de Al Zabdiya, indicou o OSDH.

Segundo o geógrafo especializado em Síria Fabrice Ballanche, os rebeldes só controlariam 10 km2 do leste de Aleppo (de um total de 60 km2).

Os soldados pró-regime recuperaram também três bairros próximos da parte antiga da cidade - Bab al Nayrab, Maadi e Marjé - e, segundo um correspondente da AFP, as últimas áreas que permanecem sob controle rebelde são submetidas a intensos bombardeios.

Encurralados na parte sul, os rebeldes reivindicaram que os civis que "quiserem deixar o leste de Aleppo" possam seguir para "o norte da província de Aleppo", onde os insurgentes ainda controlam alguns setores.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, considerou "devastadora" a situação dos civis em Aleppo, após ter solicitado a decretação de um cessar-fogo.

À medida que avançam as tropas governamentais, aumenta o número de pessoas que fogem do leste de Aleppo, onde viviam 250.000 habitantes.

Doze mortos no oeste de AleppoOitenta mil habitantes se refugiaram nos bairros controlados pelo governo no oeste da cidade ou nas zonas sob a autoridade das milícias curdas, informou Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

Não há cifras dos moradores que se deslocaram aos bairros nas mãos dos rebeldes.

"Não conseguimos dormir, a situação é muito difícil", disse à AFP Oum Abdu, uma mulher de 30 anos que deixou o bairro de Bab al Hadid com seu marido e seus cinco filhos.

"Os últimos quatro dias foram exaustivos", acrescentou, enquanto esperava para embarcar em um ônibus do governo e ser levada para um campo de refugiados.

Após o início do sítio, em julho passado, "o aumento dos preços era incrível. Era muito difícil conseguir leite ou fraldas para meu bebê de oito meses. Felizmente, o povo se ajudou", contou Hasan Atlé, procedente do bairro de Bayada.

Ao menos 369 civis morreram, entre eles 45 crianças, no leste de Aleppo desde o início da ofensiva, segundo o OSDH.

Nas zonas controladas pelo governo, no oeste da cidade, atacadas pela artilharia rebelde, morreram 92 civis, entre eles 34 crianças.

Segundo uma autoridade governamental local, 12 pessoas, inclusive sete crianças, morreram nesta quarta-feira no oeste de Aleppo, vítimas dos disparos dos rebeldes.

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