Pearl Harbor, ponto de partida fictício da 3a. guerra mundial

Washington, 7 dez 2016 (AFP) - Um ataque surpresa a Pearl Harbor cativou recentemente o Pentágono. Não o de 1941, mas aquele apresentado em "Ghost Fleet", um romance futurista que narra um provável conflito entre os Estados Unidos a China e a Rússia.

Muitos altos oficiais militares americanos aconselharam suas tropas a ler este romance coescrito por August Cole e P.W. Singer, publicado em 2015. Os autores foram até mesmo convidados em numerosas ocasiões para discutir o seu livro e o roteiro com soldados.

Os militares apreciaram este romance que conta ao público o que poderia ser uma futura guerra com drones, mega-computadores, hackers, lasers e até mesmo um pirata no espaço.

"O trabalho põe em causa certos dogmas estabelecidos sobre a composição de nossas forças armadas, sobre a força de nossos novos sistemas e até mesmo como nós lutamos", ressaltou o almirante Harry Harris, comandante das forças americanas no Pacífico, baseado no Havaí.

Em "Ghost Fleet" (a frota fantasma), é o exército chinês que ataca a base havaiana de Pearl Harbor, saindo das entranhas de navios comerciais pacíficos.

Mais uma vez, como o ataque realizado pelos japoneses em 1941, a frota americana foi dizimada. E desta vez, blindados conquistaram o arquipélago que se tornou o 50º estado americano em 1959.

A ofensiva foi decidida pela "direção", um grupo de bilionários e militares chineses que tomaram o poder em Pequim e que quer proteger o acesso ao antigo Império do Meio dos enormes recursos energéticos enterrados na profunda fossa das Marianas.

Como o exército japonês em 1941 - que levou os Estados Unidos na Segunda Guerra mondial -, a "direção" procura golpear seu adversário americano, privando-o de seu centro nervoso da sua presença militar no Pacífico.

Mas o verdadeiro ataque surpresa, o golpe de mestre da direção, começa nas primeiras horas antes do ataque ao Havaí "no espaço e no ciberespaço", explica à AFP August Cole, um ex-jornalista que virou autor e futurista.

Ao destruir os satélites americanos de comunicação ou observação com um laser ativado a partir de uma estação espacial chinesa, ou bagunçando o sistema de posicionamento GPS através de um ataque cibernético, os chineses tornaram totalmente impossível uma resposta do formidável exército americano, transformada em um gigante com pés de barro.

Canhão elétricoOs aviões F-35 americanos, grampeados com chips chineses, tornam-se cegos e incapazes de operar suas armas. E os líderes militares americanos são privados de seus sistemas de informação hiper-sofisticados.

"Pela primeira vez em décadas, os Estados Unidos não sabem o que acontece" no resto do planeta e o impacto prático e psicológico é devastador, diz Cole.

Depois de sofrer o choque, a resposta americana é organizada, envolvendo jovens hackers, um bilionário excêntrico do Vale do Silício ou ainda a cadeia de supermercados Walmart.

E o Zumwalt, um ex-navio da Marinha que caiu em desgraça e no esquecimento, irá revelar-se um jogador-chave na contra-ofensiva com seus softwares menos vulneráveis e seu canhão elétrico.

"Ghost Fleet" foi reeditado várias vezes nos Estados Unidos e foi traduzido em várias línguas, incluindo o chinês... para o mercado de Taiwan, diz Cole.

Mais de um ano depois do lançamento do livro, os dois autores mudariam algo da sua história? Olhando para trás, "eu teria gostado de ter dado mais espaço para descrever o impacto" da guerra a nível nacional nos Estados Unidos, observou ele.

"Esta é uma pergunta fascinante para desenvolver, particularmente à luz de todas as divisões políticas e econômicas que foram reveladas" durante a recente eleição presidencial americana, diz Cole.

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