Suspeito de estuprar e matar menina de 7 anos é preso na Colômbia

Bogotá, 7 dez 2016 (AFP) - O suspeito de ter estuprado e assassinado uma menina colombiana de sete anos - caso que abalou o país - foi preso até que seu julgamento seja concluído - informou a Promotoria nesta quarta-feira (7).

Em uma audiência que começou na noite de terça-feira e terminou na madrugada desta quarta, o juiz responsável pelo caso decretou a prisão preventiva para Rafael Uribe Noguera, de 38 anos, julgado pelo sequestro, estupro e homicídio de Yuliana Samboní, confirmou a mesma fonte à AFP.

Arquiteto e membro de uma família rica de Bogotá, Uribe Noguera é acusado de ter levado a menor à força, no domingo (4), do bairro pobre Bosque Calderón Tejada, no leste da cidade, até um luxuoso apartamento do qual é proprietário, situado em uma zona próxima, onde o corpo de Yuliana foi encontrado.

O procurador-geral, Néstor Humberto Martínez, declarou que se tem "uma prova biológica para determinar o autor do crime". Segundo ele, o automóvel no qual Uribe Noguera teria transportado a vítima e o apartamento onde ela foi encontrada morta, já foram apreendidos "com o objetivo de que se possa indenizar as vítimas".

"A Procuradoria não vai permitir que esse seja um caso de obstrução à Justiça", garantiu.

Depois do crime, os familiares do suspeito internaram-no em uma clínica para que ele se recuperasse de uma suposta intoxicação por álcool e drogas. Na terça-feira, Noguera foi levado para o tribunal pelas autoridades.

Dezenas de pessoas protestavam contra o crime com cartazes e apitos do lado de fora da clínica, de onde o acusado foi retirado pelas autoridades com um colete à prova de balas e custodiado por cerca de 20 agentes de segurança.

"Por essas crianças que foram vítimas, pelas crianças que foram violentadas, abusadas. Porque tudo o que você faz com uma criança fica para o resto da vida. Por isso estou aqui", disse à AFP Liz Blanco, uma das pessoas que protestavam contra o crime.

Uribe Noguera foi acusado dos crimes de feminicídio agravado, tortura, sequestro simples e agressão sexual, e se declarou inocente, segundo os jornais locais que acompanharam a audiência.

Sociedade em choqueA raiva e a dor tomaram conta dos presentes, que chegaram a jogar objetos contra o réu, na saída do tribunal. Na corte, ele havia sido recebido aos gritos de "assassino" e "pervertido".

Hoje, enquanto Noguera esperava ser transferido para a prisão, dezenas de pessoas acompanharam o cortejo fúnebre da vítima, pelas ruas de Bogotá, levando balões brancos e cantando "Yuliana, a Colômbia está contigo". A multidão pedia a pena máxima de 60 anos de prisão para o autor do crime.

A menor pertencia à etnia indígena yanacona e era originária do departamento do Cauca, no sudoeste do país, para onde seu corpo foi levado pela Polícia após uma missa na capital.

"Esse homem, esse sujeito, tem que pagar como der, como for possível. Eles têm que condená-lo. Isso não pode ficar assim!" - disse à AFP Almayari Burbano, um indígena que acompanhou os atos fúnebres em Bogotá.

O repúdio a esse caso atingiu todos os setores da sociedade colombiana, e o presidente Juan Manuel Santos pediu que "todo o peso da Justiça caia sobre o responsável".

No Congresso, foram apresentadas, nas últimas horas, propostas para endurecer as punições para estupradores e assassinos de menores, que vão desde a prisão perpétua (inexistente na Colômbia) até a castração química.

Segundo o Instituto Médico Legal, Yuliana Samboní morreu por "asfixia por sufocamento e estrangulamento" e também "se pôde constatar, com elementos suficientes, que a menor foi alvo de abuso sexual".

Em entrevista à edição digital da revista Semana, o diretor do IML, Carlos Valdés, disse que "a violência sexual em meninos e meninas têm números em escalada".

O Instituto Colombiano de Bem-Estar Familiar (ICBF) indicou que, desde o início do ano, recebeu "cerca de 35.000" chamadas de "denúncias de ameaça, ou vulneração dos direitos da criança e do adolescente".

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