Ambientalistas se mobilizam para batalha contra Trump

Washington, 8 dez 2016 (AFP) - Os ambientalistas se preparam para combater o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, que nesta quinta-feira anunciou a nomeação de um polêmico defensor de empresas poluentes para conduzir a Agência de Proteção Ambiental (EPA, em inglês).

Já em sua campanha, Trump prometeu retroceder na legislação em normas de proteção do meio ambiente e na luta contra o aquecimento global.

Trump também advertiu que pode retirar os Estados Unidos - segundo país emissor de gases de efeito estufa no mundo, atrás da China - do acordo global do clima de Paris, assinado em 2015 por 192 países.

Mas o magnata imobiliário modificou sua postura desde que venceu a eleição no dia 8 de novembro.

Em uma entrevista recente ao New York Times, Trump insinuou que pode apoiar acordos globais sobre mudanças climáticas ao dizer que tem "uma mente aberta".

Como candidato, Trump se referiu ao aquecimento global como uma fraude, mas na entrevista ao New York Times reconheceu que havia "certa conexão" entre a atividade humana e as mudanças climáticas.

"Algo, um pouco. Depende de quanto", disse o presidente eleito, acrescentando que segue preocupado por quanto podem "custar as nossas companhias" as medidas ecologistas.

Trump realizou na segunda-feira uma longa reunião em Nova York com o ex-vice-presidente democrata Al Gore, um ambientalista chave e líder na luta contra as mudanças climáticas.

"Foi uma conversa extremamente interessante e voltará a acontecer, é tudo que vou dizer", disse Gore à imprensa depois de falar com Trump.

- Chegada de Trump -Os ambientalistas se preparam para a chegada de Trump ao poder no dia 20 de janeiro, com seu Partido Republicano controlando o Congresso.

"Se Trump tentar retroceder na proteção do meio ambiente e nas mudanças climáticas, se chocará com um emaranhado de gente organizada que o combaterá nos tribunais, no Congresso e nas ruas", advertiu Michael Brune, diretor-executivo da Sierra Club, uma das maiores organizações ambientalistas, com 2,4 milhões de integrantes.

"Nas três semanas transcorridas desde a eleição, se uniu mais gente ao Sierra Club que em todo o ano (...) com 9.000 novos doadores por mês", disse Brune em uma entrevista. "As pessoas estão preocupadas e irritadas".

Os temores se consolidaram ainda mais nesta quinta-feira, depois que Trump confirmou a nomeação do atual procurador-geral de Oklahoma, Scott Pruitt, para conduzir a Agência de Proteção Ambiental.

A EPA, com a qual Barack Obama colocou em andamento medidas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa das centrais elétricas de carvão, pode ser o veículo usado por Trump precisamente para reverter as regulações de Obama.

No passado e como procurador de Oklahoma, Pruitt atuou em defesa de empresas poluentes e ligadas à indústria dos combustíveis fósseis. Além disso, já processou diversas vezes a própria Agência que agora presidirá, por considerar que a entidade era "ativista".

Além disso, o chefe executivo do gigante de gás e petróleo ExxonMobil, Rex Tillerson, aparece como candidato para ser secretário de Estado, o chefe da diplomacia do país.

Alguns programas de televisão se posicionaram a favor da mobilização ambientalista contra Trump, como John Oliver, o apresentador britânico do programa semanal da HBO "Last Week Tonight".

Oliver pediu aos americanos que façam doações e se unam a organizações de proteção do meio ambiente, em particular o Conselho de Defesa de Recursos Naturais (NRDC).

- Apoios -Susan Casey-Lefkowitz, encarregada do programa líder da NRDC, uma organização com sede em Nova York e com 2,5 milhões de membros, disse em uma entrevista que desde a eleição de Trump houve "uma verdadeira enxurrada de apoios, as pessoas nos apoiam em nossa oposição a qualquer potencial retrocesso na proteção do meio ambiente".

Casey-Lefkowitz disse que a NRDC está preparando uma petição "que será apresentada imediatamente a Trump para deixá-lo ciente de que as pessoas não querem nenhum retrocesso na proteção do meio ambiente".

Uma tática chave seria se focar na importância de proteger a qualidade do ar e da água, objetivos amplamente compartilhados inclusive pelos simpatizantes de Trump, disse.

Para May Boeve, que lidera o grupo de defesa do clima 350.org, a melhor maneira de mobilizar a classe trabalhadora dos Estados Unidos que votou em Trump é "pressionar por uma energia 100% renovável que economicamente funcione para todos".

"As energias limpas continuam sendo o maior criador de empregos em potência no século XXI enquanto as mudanças climáticas continuarem sendo a principal ameaça", disse Boeve.

A organização, sem fins lucrativos e com sede em Nova York, se "prepara para a maior luta de nossas vidas", considerou a ativista, que planeja uma manifestação em massa em Washington quando Trump já estiver na Casa Branca.

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