Congressista americana de origem muçulmana denuncia ameaça em táxi

Washington, 8 dez 2016 (AFP) - A primeira parlamentar americana muçulmana de origem somali denunciou em sua página do Facebook ter sido alvo de uma demonstração "de ódio" e "islamofobia" por parte de um motorista de táxi em Washington.

Ex-refugiada e usando um hijab, Ilhan Omar ganhou no dia 8 de novembro uma cadeira na Câmara de Representantes do Estado de Minnesota, uma novidade para os Estados Unidos.

A parlamentar contou que foi vítima de "provocações e ameaças" durante seu caminho de volta ao hotel após ter participado de reuniões na Casa Branca, segundo publicou em sua página do Facebook na quarta-feira à noite.

"Entrei no táxi e fui alvo de provocações e ameaças rancorosas, mal educadas, islamofóbicas e sexistas que jamais tinha escutado", denunciou.

"O motorista de táxi me acusou de (pertencer ao grupo) EI e ameaçou arrancar meu véu", continuou, utilizando as siglas do grupo extremista Estado Islâmico.

Omar relatou que ter rapidamente o carro, e acrescentou na rede social que teria intenções de denunciar o incidente após retornar à Minneapolis. Explicou que preferia esperar já que o motorista sabe onde estava hospedada em Washington.

"Estou impactada pelo ocorrido e não consigo acreditar que exista gente com tanto atrevimento para demostrar seu ódio contra os muçulmanos", disse Omar, de 33 anos, que chegou aos Estados Unidos quando tinha 11 anos com sua família e após passar quatro anos em acampamentos de refugiados no Quênia.

Sua vitória eleitoral foi uma surpresa após a campanha viral lançada pelo presidente eleito Donald Trump contra os muçulmanos e os refugiados. O republicano ganhou o direito de ocupar a Casa Branca no mesmo dia que ela celebrava sua própria vitória.

Na última semana de campanha, Trump se dirigiu diretamente à comunidade somali de Minnesota, estimando que era a responsável pela instabilidade desse Estado na fronteira canadense.

Cerca de um terço dos refugiados somali que vivem em solo americano habitam Minnesota. Segundo os últimos números disponíveis, eram 25 mil em 2010.

O FBI anunciou no mês passado que os atos islamofóbicos aumentaram 67% em 2015, e alcançaram seu nível mais elevado desde os ataques do 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos (257 crimes e delitos islamofóbicos, contra 154 em 2014).

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