Regime sírio volta a bombardear Aleppo e Rússia expressa apoio

Alepo, Síria, 9 dez 2016 (AFP) - A aviação síria voltou a bombardear nesta sexta-feira a zona leste de Aleppo, enquanto a Rússia assegurou que a ofensiva na segunda maior cidade do país vai durar até que os rebeldes sejam expulsos.

O exército havia suspendido seus bombardeios nesta quinta-feira à noite, quando Moscou anunciou uma pausa para evacuar os civis, embora não tenha deixado de disparar foguetes contra os bairros rebeldes.

"Depois de uma pausa humanitária [os ataques] foram retomados e continuarão enquanto houver bandidos em Aleppo", declarou o chanceler russo, Sergei Lavrov, em Hamburgo.

A Assembleia Geral da ONU aprovou nesta sexta-feira, por ampla maioria, uma resolução que reivindica um cessar-fogo imediato na Síria e a entrega urgente de ajuda humanitária.

A ONU informou que centenas de pessoas estão desaparecidas após tentarem fugir da cidade.

É cada vez mais difícil conseguir alimentos nos bairros rebeldes, no sudeste da cidade, uma vez que ninguém se atreve a abrir as lojas por medo das bombas, relatou um correspondente da AFP.

Segundo as Nações Unidas, alguns grupos rebeldes da oposição síria estão impedindo que os civis abandonem o leste de Aleppo e chegam, inclusive, a disparar contra os moradores que fogem dos combates.

O porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Rupert Colville, também expressou preocupação com as informações de que centenas de homens que fugiam dos combates teriam desaparecido ao chegar em zonas controladas pelo regime sírio.

Apesar do êxodo de dezenas de milhares de pessoas fugindo da ofensiva do governo, cerca de 100.000 civis seguem nas áreas sob controle rebelde.

Os países ocidentais e ONGs denunciam uma grave crise humanitária e pedem um cessar-fogo na cidade.

Depois de uma pequena diminuição na quinta-feira, "os disparos de artilharia retomaram em vários bairros e houve violentos combates, especialmente em Bustane al-Qasr", uma das últimas grandes áreas ainda controlada pelos insurgentes, informou o diretor do Observatório sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman.

Sem tréguaA Rússia, aliada do regime sírio, anunciou na quinta-feira "a interrupção das operações de combate no leste de Aleppo porque há uma grande operação em andamento para evacuar os civis".

Para Rahman, o anúncio russo foi "puramente midiático (...), mas (...) os bombardeios continuam porque o regime não quer dar trégua aos rebeldes ou civis".

Com os rebeldes controlando apenas uma pequena parte da zona leste de Aleppo, os observadores acreditam que a queda da cidade é inevitável e poderia marcar uma virada nesta guerra que já deixou 300.000 mortos desde 2011 e levou ao exílio mais de metade da população da Síria.

Nesta sexta, a ONU deve se pronunciar sobre um projeto de resolução, não vinculante, de cessar-fogo imediato na Síria para permitir o acesso à ajuda humanitária.

E Lavrov anunciou que no sábado vão ser realizadas em Genebra negociações militares e diplomáticas entre a Rússia e os Estados Unidos sobre a situação na cidade.

Diante da catástrofe humanitária, o chefe do grupo de trabalho para a ajuda na Síria, Jan Egeland, voltou a apelar por um cessar-fogo imediato.

"Aqueles que tentam fugir acabam encurralados nos tiroteios e bombardeios e se arriscam a ser alvos de atiradores. Centenas de crianças, doentes e feridas, precisam deixar" a zona leste de Aleppo, ressaltou.

Os Capacetes Brancos, socorristas das áreas rebeldes, também lançaram um alerta. "Se nossos voluntários não forem retirados da cidade, correm o risco de serem torturados ou executados nos centros de detenção do regime".

Os rebeldes estão encurralados em vários setores do sul de Aleppo com dezenas de milhares de civis presos entre o fogo cruzado. O exército, apoiado por combatentes iranianos e o Hezbollah libanês, controla mais del 85% da parte que os insurgentes conquistaram em 2012, segundo o OSDH.

Desde o início da ofensiva em Aleppo, 410 civis, incluindo 45 crianças, morreram, segundo números do OSDH. Destes, 105 civis, incluindo 35 crianças, morreram na zona oeste de Aleppo, controlada pelo regime sírio.

Em outras frente de combate na Síria, o grupo extremista Estado Islâmico matou 49 membros das forças pró-governamentais nas últimas 24 horas em combates perto da cidade de Palmira, segundo afirmou o OSDH.

Na véspera, os combatentes do EI lançaram ataques simultâneos contra várias posições do governo no deserto do leste da província de Homs, incluindo zonas próximas aos campos de petróleo e de gás de Mahr e Shaar.

Além disso, a Turquia anunciou nesta sexta que 300 membros de suas forças especiais vão apoiar os militares turcos em Al-Bab, uma cidade turca na fronteira síria, que lutam contra extremistas.

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