Conheça os possíveis cenários na Síria após a queda de Aleppo

Paris, 10 dez 2016 (AFP) - A queda de Aleppo não será o fim da guerra na Síria, mas o regime de Damasco e seus aliados russo e iraniano parecem capazes de se impor a curto prazo aos países que apoiam a oposição a Bashar al-Assad.

Testemunhas impotentes da agonia de Aleppo há semanas, dez países da coalizão internacional que atua na Síria, entre eles Estados Unidos, França, Turquia e Arábia Saudita, reuniram-se este sábado, em Paris, para abordar a "trágica" situação da segunda cidade deste país destroçado pela guerra.

Mas a reunião terminou com uma sensação de impotência: o secretário de Estado americano, John Kerry, chegou a implorar "compaixão" a Damasco e Moscou.

Até agora, todos os apelos da comunidade internacional para por fim ao massacre em curso fracassaram e todos os anúncios de negociações entre russos e americanos para alcançar um cessar-fogo terminaram sem acordo.

A cidade já se encontra praticamente toda nas mãos do regime, que controla 85% dos bairros que estiveram em poder dos rebeldes desde 2012 até o início da ofensiva em 15 de novembro.

"Toda a ideia da operação é fazer como na segunda guerra da Chechênia (1999-2000): esmagar a rebelião, mostrar-lhes que não há o que fazer contra as armas russas. Assim, os rebeldes (só) podem se render, fugir ou passar para o lado de Assad", resumiu o especialista militar russo independente Pavel Felguenhauer.

'Síria útil'A comunidade internacional parece ter assumido a queda de Aleppo, assim como a retomada por parte do regime da "Síria útil", o oeste do país de Aleppo a Damasco, passando pela província central de Homs e a região costeira de Lataquia.

"Está se perfilando a divisão da Síria", advertiu recentemente o ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Marc Ayrault. Enquanto isso, vários especialistas consideram que, depois de Aleppo, Moscou e Damasco concentrarão esforços na província de Idleb (noroeste), ainda nas mãos dos insurgentes.

"Há uma partilha de fato da Síria: os russos a oeste e os ocidentais da coalizão anti-extremista a leste", explicou, pedindo para ter sua identidade mantida em sigilo, um diplomata europeu, para quem Moscou tem todo o interesse em deixar que os ocidentais se ocupem do "atoleiro" em que se transformaram as zonas controladas pelo grupo Estado Islâmico (EI).

Mas, embora estejam em uma posição de força maior do que nunca desde o início do conflito, em 2011, Damasco e seus aliados não venceram a guerra, repetem dirigentes e diplomatas, para os quais "não se pode falar de vitória ao preço de 300.000 mortos e milhões de refugiados".

Eles insistem na necessidade de uma "solução política confiável" para conseguir a paz na Síria, embora na situação atual têm pouca margem de manobra para de impor.

'Uma paz falsa'"Não vamos fingir que a oposição moderada vai de vento em popa", reconheceu um diplomata francês. Apesar disso, essa oposição comandada por Riad Hijab, um ex-primeiro-ministro desertor do governo de Bashar Al Assad, "é a única que tem um projeto e encarna uma transição política confiável", avalia esta fonte.

Mas nem Damasco, nem Moscou lhe deram a menor legitimidade.

Os ocidentais só lhes resta fazer pressão do ponto de vista financeiro: a Síria é um país devastado por cinco anos de guerra, com sua economia e suas infraestruturas em ruínas.

"Fala-se de reconstrução, mas não vamos financiar uma Síria controlada por Assad. Não pagaremos pelos russos, não pagaremos por uma paz falsa", assegurou o diplomata.

Mas para o especialista russo Pavel Felghenhauer, "todo mundo entendeu que onde está Putin há vitórias. E no Oriente Médio, todos vão fazer fila para se tornarem amigos da Rússia. Todo mundo sabe que Assad deveria ter acabado enforcado há muito tempo. Mas apostou na Rússia e ganhou".

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