A longa jornada de Paolo Gentiloni até o poder na Itália

Roma, 11 dez 2016 (AFP) - O ex-chanceler da Itália, Paolo Gentiloni, designado como novo chefe do governo, é um homem tranquilo e reservado, que faz parte desde jovem da esquerda moderada e provemiente de uma ilustre família de intelectuais e aristocratas.

O ministro das Relações Exteriores do atual governo, de 62 anos, é um homem leal ao ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, ao qual prestou homenagem depois de sua nomeação.

"Merece respeito por sua coerência", declarou, ao mencionar a renúncia de Renzi após perder amplamente no referendo da semana passada sobre a reforma constitucional.

Além da lealdade e moderação demonstrada em sua longa trajetória política, a designação de Gentiloni chega num momento delicado devido aos inúmeros compromissos internacionais da Itália para os próximos meses.

Apreciado por seus colegas estrangeiros, Gentiloni foi o primeiro ministro de um país da União Europeia a visitar Cuba (2015) para oferecer ao presidente Raúl Castro o apoio da Itália para a normalização das relações entre Cuba e Estados Unidos.

Jornalista graduado em ciências políticas, faz parte do grupo fundador do Partido Democrata (PD, centro-esquerda), atualmente no governo e que, depois do referendo da semana passada, se encontra profundamente dividido.

Descendente da nobre família do conde Ottorino Gentiloni, recebeu educação católica, mas militou no movimento de esquerda maoísta, para depois iniciar uma longa carreira dentro do setor mais moderado da esquerda, como colaborador na década de 1990 do prefeito de Roma, Francesco Rutelli, e nos anos 2000 do primeiro-ministro Romano Prodi, fundador do movimento El Olivo, sendo seu ministro das Comunicações de 2006 a 2008.

- Intelectual e jornalista -Nascido e criado em Roma, estudou em um conhecido colégio público da capital, trabalhou em várias publicações políticas, entre elas "Pace e Guerra", e foi diretor da publicação mensal do movimento ecológico Legambiente, "La Nuova Ecología".

Nos anos 1990, abandonou a imprensa escrita para ser porta-voz da prefeitura de Rutelli, quando foi encarregado da organização do Jubileu do ano 2000.

Sucessivamente, foi eleito para o parlamento, onde era considerado um especialista em comunicações.

Em 2012, tentou chegar à prefeitura de Roma, mas ficou em terceiro lugar durante as primárias, uma derrota lamentada por seus aliados, mas que serviu, posteriormente, para chegar a ser chanceler da Itália, em 2014.

Em nível europeu, defendeu firmemente a política solidária e humanitária da Itália visando à crise migratória e mantém excelentes relações pessoais com o chanceler russo Sergei Lavrov, assim como seu clega americano John Kerry, ambos presentes em Roma na semana passada para um encontro oficial na chancelaria.

Discreto, algo tímido, com cabelos grisalhos desde jovem, é casado com uma arquiteta, não tem filhos e, segundo a imprensa italiana, ama a ópera, um bom vinho, ler e jogar tênis.

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