Exército sírio consolida seu avanço em Aleppo; EI retoma Palmira

Alepo, Síria, 11 dez 2016 (AFP) - O exército sírio reforçou neste domingo sua vantagem perante os rebeldes no leste de Aleppo, mas sofreu um revés na cidade antiga de Palmira, reconquistada pelo grupo extremista Estado Islâmico.

O êxodo dos moradores da parte rebelde de Aleppo, no norte da Síria, prosseguiu com a fuga de mais de 10.000 civis em poucas horas neste domingo, devido "aos combates e aos bombardeios", segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Os civis "se refugiaram em setores controlados pelas forças do regime na parte ocidental de Aleppo", informou Rami Abdel Rahman, o diretor desta ONG, que dispõe de uma vasta rede de informantes na Síria.

Segundo Rahman, 120.000 pessoas fugiram do leste de Aleppo desde meados de novembro: 90.000 para bairros governamentais e 30.000 para aqueles controlados pelos curdos.

Um correspondente da AFP na cidade confirmou que houve intensos bombardeios e disparos de artilharia nos bairros rebeldes durante a noite.

As forças governamentais dominam agora 85% do leste de Aleppo e estreitam o cerco aos insurgentes em um local onde tudo falta, especialmente a comida.

Saques intensosNão há nenhuma informação sobre as perdas de vidas humanas nas últimas horas e o balanço de vítimas continua sendo de 413 civis mortos no leste de Aleppo desde o início da ofensiva do regime, em 15 de novembro, segundo o OSDH.

"Os saques são de uma intensidade inédita", indicou no sábado à AFP Ibrahim Abu al Leith, porta-voz da organização Capacetes Brancos em Aleppo. "As ruas estão cheias de gente sob os escombros. Morrem porque não conseguimos tirá-las dali".

Os rebeldes respondem aos ataques do exército disparando foguetes sobre os bairros governamentais, onde pelo menos 139 civis morreram desde o início da operação.

Mas o exército avança de forma inexorável e apoderou-se do bairro de Asila e da maior parte de Maadi, no leste, segundo o OSDH.

O ministro britânico da Defesa, Michael Fallon, resumiu o sentimento de muitos dirigentes internacionais, ao declarar à BBC que prevê, "infelizmente", a queda de Aleppo.

O papa Francisco lançou um apelo à paz: "Não à destruição, sim à paz, sim ao povo de Aleppo e da Síria", disse o pontífice, durante o Angelus, na praça de São Pedro.

A perda deste reduto rebelde é "politicamente muito importante" para Damasco porque representará um duro golpe para a oposição armada, avaliou Yezid Sayigh, especialista do Centro Carnegie do Oriente Médio.

Além disso, "a ideia de que o regime possa ser deposto pela via militar fica definitivamente abandonada" mais de cinco anos e meio após o início da guerra, prosseguiu.

O exército sírio, com efetivos reduzidos, conta com o apoio de seus aliados russo e iraniano, como foi possível constatar durante a ofensiva do EI em Palmira (centro).

EI retoma PalmiraAproveitando-se o fato de que o regime dedica todos os seus esforços à batalha de Aleppo, a organização extremista retomou no domingo a totalidade da cidade antiga de Palmira, após a retirada do exército.

"Apesar dos ataques aéreos russos, o EI reconquistou no domingo toda a cidade de Palmira, depois que o exército se retirou para o sul", afirmou Abdel Rahman.

Após terem sido expulsos em março passado, os extremistas voltaram neste sábado a Palmira, mas "tiveram que abandonar suas posições por várias horas durante a noite antes de voltar com força e ocupar toda a cidade", acrescentou.

Extremamente ágeis, os extremistas são capazes de retroceder e avançar quando a situação permite e a aviação interrompe seus bombardeios.

O ministério russo da Defesa informou que seus caça-bombardeiros realizaram 64 ataques durante a noite "contra posições, comboios e agrupamentos" do EI em Palmira.

Estes ataques mataram mais de 300 membros do EI e destruíram 11 tanques e 31 veículos, acrescentou o ministério.

O EI conquistou Palmira em maio de 2015, e durante sua ocupação, destruiu várias ruínas greco-romanas da cidade, incluída na lista do patrimônio da Humanidade da Unesco.

rb-bur/jri/hj/gm-app/es/mvv

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos