Itália se dirige a uma mudança na continuidade

Roma, 12 dez 2016 (AFP) - Paolo Gentiloni, encarregado de formar um novo governo na Itália, deve apresentar nesta segunda-feira sua equipe de ministros, que as diferentes forças de oposição já classificam como uma cópia do time de Matteo Renzi.

Gentiloni deve continuar com as consultas ao longo do dia, encontrando-se com representantes de diferentes grupos parlamentares, com exceção do Movimento 5 Estrelas (M5S, populista) e a Liga do Norte (extrema direita), que recusaram o convite no domingo.

O novo gabinete, que os meios qualificam como de transição, seria apresentado por volta das 17H00 locais (14H00 em Brasília) ao presidente da República, Sergio Mattarella, conforme previsto pelas regras na Itália.

Após sua aprovação pelo presidente, deverá enfrentar um voto de confiança do Parlamento, provavelmente na quarta-feira.

Gentiloni, de 62 anos, chefe da diplomacia italiana de Renzi, é um político moderado e aberto ao diálogo, e tem entre suas prioridades aprovar uma nova lei eleitoral que inclua a Câmara de Deputados e o Senado e conduzir a urgente reconstrução dos povoados destruídos pelos terremotos de agosto e outubro, anunciou no domingo.

A lista de novos ministros estará formada provavelmente por personalidades da mesma coalizão de governo de centro-esquerda que apoiava Renzi.

Não se descarta que o próximo chanceler, em substituição a Gentiloni, seja Angelino Alfano, ministro do Interior de Renzi e líder do partido Nova Centro Direita.

Também é possível que a maioria dos ministros de Renzi permaneça em seus cargos, entre eles o de Economia, Pier Carlo Padoan.

O economista, cujo nome também foi considerado para o cargo de primeiro-ministro, deverá contornar um dos problemas mais delicados, a bancarrota por empréstimos duvidosos do terceiro maior banco do país, Monte dei Paschi di Siena, o que poderia desencadear uma crise do sistema bancário nacional.

O homem da "continuidade", o governo "fotocópia", o político "invisível", são algumas das críticas lançadas a partir da oposição contra Gentiloni, considerado um político às ordens de Renzi.

Para os militantes antissistema do M5E e da direita xenófoba da Liga Norte, Gentiloni é simplesmente uma "marionete" de Renzi.

"Gentiloni é o avatar de Renzi", afirma Luigi Di Maio, um dos líderes do M5E e atual vice-presidente da Câmara de Deputados, que está convencido de que a nomeação de Gentiloni faz parte de uma manobra da casta política para frear uma vitória da sua formação, cuja popularidade continua aumentando, segundo as pesquisas.

A Liga Norte convocou para sábado uma manifestação para pedir eleições antecipadas após o resultado do referendo de 4 de dezembro, no qual uma ampla maioria dos italianos rejeitou o projeto de reforma constitucional promovido por Renzi.

O ex-primeiro-ministro, cuja forte personalidade e estilo de governar dividiu o país e seu partido, o Partido Democrático (PD), reiterou nesta segunda-feira que está disposto a continuar na batalha política.

"É evidente que nos próximos meses se terá de realizar eleições", afirmou Renzi em uma reunião do PD, do qual também é secretário-geral, em uma confirmação indireta de que o governo presidido por Gentiloni será transitório e que a campanha eleitoral acaba de ser aberta.

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