Operação do regime sírio em Aleppo chega à 'fase final'

Alepo, Síria, 13 dez 2016 (AFP) - A segunda cidade da Síria, Aleppo (norte), estava a ponto de cair totalmente nas mãos do governo e seus aliados nesta segunda-feira, no que se considera a "fase final" de uma ofensiva sem trégua contra os rebeldes, que já dura quatro semanas.

Estes se retiraram na segunda-feira de outros seis bairros importantes da antiga capital econômica do país diante do avanço do exército e permanecem apenas em um pequeno setor da segunda cidade do país, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

"Há um desmantelamento total dos rebeldes (...), a batalha de Aleppo se aproxima do fim", afirmou à AFP Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH, destacando que tinham se retirado dos bairros de Bustan Al Qasr, um dos mais fortificados, Ferdus e Kallase.

"Só é questão de tempo" antes de Aleppo cair totalmente sob o controle do regime de Bashar Al-Assad, já que os rebeldes apenas conservam dois bairros importantes, Sukkari e Al Machad.

Em Al Machad, algumas testemunhas contaram que quem fugiu das zonas conquistadas pelo exército, inclusive várias crianças, dormem nas calçadas ou em barracas. Muitos têm fome e não conseguiram levar nada consigo.

Nos bairros abandonados pelos rebeldes, "há cadáveres nas ruas", assegurou Rahman.

Esta retirada maciça ocorre horas depois da queda dos bairros de Sheij Said e Salhin.

A reconquista de Aleppo, dividida desde 2012 entre os bairros ao leste, controlados pelos rebeldes, e o setor oeste, nas mãos do regime, seria a maior vitória do governo contra os primeiros desde o início da guerra na Síria em 2011.

A ofensiva fulminante do exército de Damasco foi lançada no dia 15 de novembro com o apoio de combatentes iranianos e do Hezbollah libanês, e apoiada por bombardeios aéreos e de artilharia russos.

Um correspondente da AFP em campo havia dito nesta segunda-feira que os ataques, que podiam ser ouvidos desde o setor ocidental, eram os mais intensos em vários dias.

"A operação entra em sua fase final", declarou um oficial em Aleppo à AFP, precisando que os rebeldes controlam apenas 10% de seu antigo território.

Durante a noite, o lado oeste de Aleppo foi tomado por tiros de comemoração, constatou a AFP.

'Séria preocupação'Mais de 10.000 civis fugiram dos bairros rebeldes nas últimas 24 horas para alcançar os setores sob controle governamental, segundo o OSDH.

No total, 130.000 civis abandonaram os bairros da oposição desde 15 de novembro, em cálculos da mesma fonte.

Os esforços diplomáticos para acabar com o banho de sangue em Aleppo não atingem seu objetivo e nesta segunda-feira o Papa Francisco enviou uma carta a Al-Assad para que detenha a violência e aplique o direito humanitário internacional para proteger os civis.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, está alarmado com relatórios sobre atrocidades contra "um alto número" de civis - incluindo mulheres e crianças - cometidas nas últimas horas em Aleppo.

"Apesar de assinalar que as Nações Unidas não puderam realizar uma verificação independente destes relatórios, o secretário-geral transmitiu sua grave preocupação às partes relevantes", disse o porta-voz Stephane Dujarric.

O grupo Estado Islâmico (EI) lançou uma ofensiva no deserto da província central de Homs, capturando campos petrolíferos e posições governamentais.

O Observatório indicou que os extremistas avançavam nesta segunda-feira ao sul e a oeste da cidade contra o exército de Damasco perto da cidade de Al Qaryatain, enquanto os aviões russos prosseguiam atacando-os a partir do ar.

Em Palmira, cidade que o grupo extremista voltou a retomar nove meses depois de ter sido expulso pelas forças de Damasco, nesta segunda-feira o EI executou oito combatentes pró-regime, segundo o OSDH.

'53 civis mortos'Também nesta segunda-feira, ao menos 53 civis, incluindo 15 crianças, perderam a vida em uma série de bombardeios aéreos em localidades controladas pelo EI na província de Hama, no centro do país, indicou a ONG.

Em Paris, o alto representante da oposição síria Riad Hijab denunciou que as forças do regime estão atacando "civis desarmados" em Aleppo e "fogem como ratos diante dos jihadistas em Palmira".

O conflito na Síria, desencadeado em 2011 pela sangrenta repressão às manifestações pacíficas pró-democracia no país, se transformou em uma complexa guerra que envolve muitos atores sírios e estrangeiros.

Em cinco anos, o enfrentamento deixou mais de 300.000 mortos e deslocou a metade da população.

Segundo o OSDH, 415 civis morreram em Aleppo pela ofensiva do regime e 130 por disparos rebeldes.

lar-sah/tgg/sk/bpe/aoc.

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