Português Antonio Guterres toma posse como secretário-geral da ONU

Nações Unidas, Estados Unidos, 12 dez 2016 (AFP) - O secretário-geral das Nações Unidas, Antonio Guterres, prometeu nesta segunda-feira, após ser empossado, que fará reformas para melhorar o desempenho deste organismo internacional ante a crise, inclusive a guerra na Síria.

O ex-primeiro-ministro de Portugal foi empossado formalmente pela Assembleia Geral da ONU, em um momento em que se desenvolve uma sangrenta guerra para retomar o controle de Aleppo, na Síria, e cinco semanas antes de Donald Trump assumir a Presidência dos Estados Unidos.

"É tempo de que a ONU reconheça suas insuficiências e mude o modo como funciona", disse Guterres em seu discurso na Assembleia Geral. A partir de 1º de janeiro, o diplomata assumirá suas funções, sucedendo Ban Ki-Moon.

Guterres, de 67 anos, disse que "a ONU deve estar pronta para mudar" e recomendou alterações em três aspectos: manutenção da paz, ajuda ao desenvolvimento permanente e gestão.

"Fará falta mais mediação, arbitragem e diplomacia preventiva", disse o diplomata, afirmando que está "pronto para se envolver pessoalmente" se for necessário.

Embora não tenha revelado sua estratégia sobre a situação na Síria, uma realidade que conhece muito bem, disse a jornalistas estar disposto a jogar um papel de "intermediário de boa fé", com a finalidade de "criar as condições para restabelecer a confiança" entre as partes em conflito.

Guterres afirmou que os capacetes azuis costumam ficar a cargo de "manter uma paz que não existe" e recomendou uma "reforma global da estratégia e das operações da ONU" a favor da paz e da segurança.

Impulsionar a ONUEm discurso após a posse, alternando entre o francês, o inglês e o espanhol, Guterres também aspirou a uma melhor coordenação entre as diversas instâncias da ONU a cargo da luta contra o terrorismo.

A ONU deve "contar mais com as pessoas e menos com a burocracia", disse aos 193 representantes dos países-membro da Organização, que o aplaudiram.

Para o ex-alto comissário da ONU para os refugiados, a organização multilateral deve ser mais "ágil e eficaz". Ele lamentou, por exemplo, que se requeiram pelo menos "nove meses para enviar alguém ao terreno".

Guterres também ressaltou a necessidade de uma "comunicação melhor" sobre o trabalho que este organismo multilateral faz, assim como um aumento da participação das mulheres e a promoção de jovens dentro da instituição.

Em alusão implícita à eleição de Trump e à onda de populismo na Europa, Guterres lamentou que "muita gente no mundo esteja motivada pelo medo".

"É tempo de reconstruir as relações entre os cidadãos e os dirigentes nacionais e internacionais", afirmou.

Vários diplomatas dentro da ONU consideram que a eleição de Trump pode complicar o trabalho de Guterres. O bilionário já declarou seu ceticismo sobre o combate ao aquecimento global, um cavalo de batalha de Ban Ki-Moon.

Os Estados Unidos estão entre os principais doadores de fundos à ONU, respondendo por 22% do total do orçamento de operações e 28% das missões de manutenção de paz.

Apesar destas possíveis dificuldades, Guterres desperta expectativas, depois de ter sido eleito por unanimidade.

"É o homem para este trabalho em tempos muito difíceis", resumiu na segunda-feira a embaixadora americana na ONU, Samantha Power.

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