Premiê italiano aposta em continuidade e confirma ministros

Roma, 12 dez 2016 (AFP) - Paolo Gentiloni, encarregado de formar um novo governo na Itália, apresentou nesta segunda-feira seu gabinete, formado na maioria por ministros do gabinete do demissionário Matteo Renzi - uma aposta na continuidade.

O novo gabinete recebeu foi empossado nesta segunda-feira e entre terça e quarta-feira o governo deverá obter o voto de confiança do Parlamento, de forma a poder representar legitimamente a Itália na quinta-feira no Conselho Europeu de Bruxelas com todos os líderes europeus.

Trata-se de uma das crises mais curtas da história da República italiana, embora ninguém se atreva a estimar a duração do governo presidido pelo ex-chanceler de Renzi.

O novo governo, que as diferentes forças de oposição classificam como uma fotocópia daquele do ex-premiê, nomeou como ministro das Relações Exteriores o até então ministro do Interior, Angelino Alfano, líder da Nova Centro-direita.

Uma indicação que confirma a orientação política da Itália contra o fechamento das fronteiras na Europa ais refugiados que fogem de guerras e conflitos.

Gentiloni, um político moderado, aberto ao diálogo e homem leal, confirmou Pier Carlo Padoan na Economia.

O economista, cujo nome também foi considerado para o cargo de primeiro-ministro, deverá contornar um dos problemas mais delicados, o risco da bancarrota por empréstimos duvidosos do terceiro maior banco do país, Monte dei Paschi di Siena, o que poderia desencadear uma crise do sistema bancário nacional.

Também foram confirmados Roberta Pinotti para a Defesa, Giuliano Poletti no Trabalho, Dario Franceschini na Cultura, Beatrice Lorenzini na Saúde e Andrea Orlando na Justiça.

Maria Elena Boschi, uma das responsáveis pelo fracasso do referendo constitucional, entre as pessoas mais próximas de Renzi, deixa seu ministério para as Reformas e passa a um cargo ainda mais estratégico: a de vice-secretária da Presidência do Conselho de Ministros.

Gentiloni criou, ainda, um novo ministério, a cargo do economista Claudio de Vincenti, para se ocupar da Coesão Territorial e do Chamado "Mezzogiorno", o sul da Itália, a região mais esquecida do país, cujo voto de protesto foi decisivo para o fracasso do referendo.

Marionete de RenziO novo premiê, de 62 anos, tem entre suas prioridades lançar uma nova lei eleitoral que abranja a Câmara dos Deputados e o Senado e governar a urgente reconstrução dos povoados destruídos pelos terremotos de agosto e outubro, segundo antecipou no domingo.

O homem da "continuidade", o governo "fotocópia", o político "invisível" foram algumas das críticas lançadas a partir da oposição contra Gentiloni, considerado um homem sob as ordens de Renzi.

"O governo, como se nota por sua estrutura, prosseguirá na ação de inovação desenvolvida até agora pelo governo guiado por Matteo Renzi", explicou Gentiloni em uma greve declaração.

Para os militantes antissistema do M5E e da direita xenófoba da Liga Norte, Gentiloni é simplesmente uma "marionete" de Renzi.

"Gentiloni é o avatar de Renzi", afirma Luigi Di Maio, um dos líderes do M5E e atual vice-presidente da Câmara de Deputados, que está convencido de que a nomeação de Gentiloni faz parte de uma manobra da casta política para frear uma vitória da sua formação, cuja popularidade continua aumentando, segundo as pesquisas.

A Liga Norte convocou para sábado uma manifestação para pedir eleições antecipadas após o resultado do referendo de 4 de dezembro, no qual uma ampla maioria dos italianos rejeitou o projeto de reforma constitucional promovido por Renzi.

O premiê em fim de mandato, cuja forte personalidade e estilo de governar dividiu o país e seu partido, o centro-esquerdista Partido Democrático (PD), reiterou nesta segunda-feira que está disposto a continuar na batalha política.

"É evidente que nos próximos meses se terá de realizar eleições", afirmou Renzi em uma reunião do PD, do qual também é secretário-geral, em uma confirmação indireta de que o governo presidido por Gentiloni será transitório e que a campanha eleitoral acaba de ser aberta.

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