Temer prepara 'agenda positiva' para reverter pessimismo sobre governo

Brasília, 12 dez 2016 (AFP) - Com a popularidade no chão e confrontado com denúncias de corrupção, o presidente Michel Temer prepara uma agenda positiva para contrabalançar o pessimismo dos mercados e as turbulências que ameaçam seu governo.

Novas medidas de curto prazo e aprovação definitiva no Congresso de reformas estruturais para seu plano de ajustes: assim o governo planeja seus próximos passos depois que vários de seus homens fortes, entre eles o próprio Temer, foram mencionados por executivos da Odebrecht como beneficiários de recursos da empreiteira.

As delações premiadas dos quase 80 funcionários da Odebrecht foram assinadas há menos de duas semanas e os primeiros vazamentos parecem confirmar que se trata da "confissão do fim do mundo", como a imprensa a denomina há meses.

Claudio Melo Filho, ex-vice-presidente de relações institucionais da Odebrecht, assegurou que legisladores do PMDB de Temer recebiam quantias astronômicas para facilitar licitações na petroleira e para obter a aprovação de leis e decretos favoráveis à empresa, segundo o testemunho publicado por meios de comunicação locais.

O próprio Temer foi acusado de pedir em 2014 dez milhões de reais para financiar campanhas eleitorais, o que o presidente nega taxativamente.

Seria "ingênuo" não estar preocupado, tinha admitido recentemente o presidente, ao tomar conhecimento de que vários de seus ministros próximos teriam sido citados pelos executivos da Odebrecht na maior rede de corrupção da história do país.

Depois de atingir nos últimos anos figuras de destaque do PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a operação Lava Jato agora mira no PMDB, que assumiu o comando do país após o impeachment de Dilma Roussef, afilhada política de Lula.

Ajuste "preservado""Ainda (...) é muito difícil avaliar exatamente qual será o impacto" das revelações, disse à AFP Silvio Campos, analista da consultora Tendencias.

Temer pediu ao procurador-geral da república, Rodrigo Janot, que tente dar celeridade aos expedientes, porque "a divulgação de supostas colaborações premiadas" e a lentidão dos processos interferem na gestão política e funcionam "como um elemento perturbador de uma série de áreas de interesse da União".

Até agora, Temer conseguiu, com o apoio de sua base aliada no Congresso, acelerar seu plano de ajuste fiscal para tentar recuperar a confiança dos mercados, em um país que fechará em dezembro seu segundo ano consecutivo de recessão.

As incertezas políticas provocaram na segunda-feira uma queda de 2,19% do índice Ibovespa da Bolsa de São Paulo.

Campos destaca, no entanto, que já se esperava o aparecimento cedo ou tarde de muitos dos nomes mencionados nos vazamentos e acredita-se que "ainda predomina o sentimento de que, apesar de tudo, a direção econômica das reformas, dos ajustes, está preservada".

O Senado concluirá na terça-feira, a princípio sem tropeços, a última votação necessária para congelar os gastos públicos durante 20 anos, uma medida denunciada pela oposição de esquerda, por sindicatos e organizações sociais, que convocaram manifestações em Brasília.

"Confio na aprovação desta importante medida", afirmou na segunda-feira o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, em evento junto a representantes do mundo financeiro.

A próxima grande reforma na agenda é a do sistema previdenciário, que fixará em 65 anos a idade mínima de aposentadoria para homens e mulheres.

Popularidade no chãoO ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou que o governo prepara em paralelo uma série de medidas microeconômicas para incentivar a produtividade.

"Não existe nada que funcione como um passe de mágica, mas esperamos que a confiança aumente", afirmou Meirelles, citado pelo jornal O Estado de S. Paulo, sem dar mais detalhes.

Os dados econômicos negativos e os escândalos também derrubaram a popularidade de Temer.

Apenas 10% dos brasileiros o apoiam (eram 14% em julho) e 63% desejam que renuncie antes do fim do ano para que haja uma eleição presidencial direta, revelou uma pesquisa publicada no domingo pelo instituto Datafolha.

Segundo a Constituição, se o cargo de presidente ficar vago nos últimos dois anos de mandato - neste caso em 2017 e 2018 - o sucessor será escolhido pelo Congresso, em eleição indireta.

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