Rebeldes anunciam acordo para evacuação de Aleppo

Beirute, 13 dez 2016 (AFP) - Um acordo para a evacuação de civis e rebeldes de Aleppo foi alcançado nesta terça-feira (13) - anunciaram grupos opositores, após a onda de indignação internacional provocada pelas atrocidades cometidas nesta segunda cidade síria, prestes a ser retomada pelo governo.

Milhares de pessoas permanecem cercadas nos últimos bairros rebeldes da cidade, que já foi a capital econômica do país, sujeitas a intensos bombardeios do Exército.

O acordo para evacuar "moradores e rebeldes com suas armas leves dos bairros sitiados" foi concluído, "impulsionado por Rússia e Turquia", apoiadores do governo e dos rebeldes, respectivamente, disse um chefe rebelde à AFP.

O acordo "entrará em vigor nas próximas horas", afirmou Yasser al-Yussef, do escritório político do grupo Nuredin al-Zinki.

"A evacuação de feridos e civis será feita primeiro. Depois, os rebeldes sairão com suas armas leves", acrescentou.

"Os que saírem escolherão ir para o oeste da província de Aleppo, ou para a província (vizinha) de Idleb", em regiões sob controle insurgente, continuou.

Uma fonte do Ahrar al-Sham, outro conhecido grupo rebelde islamita, confirmou o acordo, afirmando que os civis, e depois os rebeldes, seriam retirados de ônibus para essas áreas.

Pouco depois, o embaixador russo na ONU confirmou o acordo.

"Foi alcançado um acordo no terreno para que os combatentes deixem a cidade", disse Vitaly Churkin a jornalistas.

A evacuação pode começar "dentro de horas, talvez", acrescentou.

Segundo Churkin, o Exército sírio paralisou suas operações em Aleppo, com o objetivo de permitir que combatentes da oposição e suas famílias deixem a cidade.

Os rebeldes "começaram a ir embora e, depois disso, cessaram as operações militares", completou.

"O resultado é - se tudo estiver bem - que isso significa que os combates no leste de Aleppo acabaram", vaticinou.

Submetidos a quatro semanas de intensos bombardeios aéreos e ao fogo da artilharia, os rebeldes perderam quase todo seu antigo reduto do leste de Aleppo e estão encurralados, junto com dezenas de milhares de civis, principalmente no bairro de Al-Mashad.

'Destino selado'Incapaz de deter a máquina de guerra do governo, a comunidade internacional tenta pôr fim ao drama humanitário nos bairros rebeldes.

"À noite, recebemos informações que indicavam que as forças pró-governo haviam assassinado pelo menos 82 civis, incluindo 11 mulheres e 13 crianças", anunciou em Genebra o porta-voz do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, Rupert Colville.

Colville afirmou que, "segundo diversas fontes confiáveis, forças pró-governo entraram nas casas de civis e mataram quem estava dentro, incluindo mulheres e crianças".

Na segunda-feira (12), o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, mostrou sua preocupação com as informações sobre as atrocidades "contra um grande número" de civis.

Os civis tampouco escondem sua profunda angústia.

"Nosso destino está selado. Por que nos escondermos? Isso não nos fará nenhum bem. Morreremos, ou irão nos prender", declarou o porta-voz dos Capacetes Brancos, Ibrahim Abu al-Leith, na segunda-feira à noite.

Uma fila interminávelO Exército sírio e as forças estrangeiras que o apoiam controlam mais de 90% do leste de Aleppo. Nesta terça-feira pela manhã, comandavam operações de rastreamento, apesar de não terem feito avanços importantes, indicou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

"Há dezenas de corpos nas ruas por causa dos intensos bombardeios das forças do regime. Não temos nenhuma confirmação das execuções", afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

Hoje, a televisão pública exibia imagens dos bairros tomados dos insurgentes: uma paisagem de desolação, ruínas e escombros sob a garoa.

Centenas de civis abandonavam o local pouco a pouco em uma fila interminável, alguns protegidos por casacos, ou cobertores, acompanhados de seus filhos pequenos e com seus pertences em sacolas de plástico.

A conquista total de Aleppo, dividida desde 2012, permitirá ao governo de Bashar al-Assad controlar as cinco maiores cidades da Síria, junto com Homs, Hama, Damasco e Latakia. Uma conquista que não teria sido possível sem a ajuda de Moscou, aliado de Damasco e ativo na Síria desde setembro de 2015.

Em quatro semanas, a operação militar em Aleppo custou a vida de mais de 463 civis no leste de Aleppo, segundo o OSDH, enquanto 130 civis morreram no oeste da cidade. Desde 15 de novembro, mais de 130 mil civis fugiram dos bairros do leste.

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