Rex Tillerson, executivo do petróleo e amigo de Putin, novo chefe da diplomacia americana

Nova York, 13 dez 2016 (AFP) - Rex Tillerson, o CEO da ExxonMobil escolhido por Donald Trump para ser o próximo secretário de Estado americano, construiu fortes laços com líderes de todo o mundo, mas o mais notável - e polêmico - deles é com o russo Vladimir Putin.

Formado em Engenharia, o empresário de 64 anos nunca trabalhou para o governo, mas sua experiência no mundo dos negócios pode ser um ativo importante no momento de defender os interesses dos Estados Unidos.

Sua relação com Putin aparentemente foi vital para ser escolhido por Trump, já que o presidente eleito deseja melhorar as relações com Moscou, que pioraram consideravelmente a partir de 2014, quando a Rússia anexou a Crimeia.

Mas a relação pode virar um problema na votação do Senado para confirmar ou não o nome de Tillerson, em um cenário marcado pela convicção da inteligência americana sobre interferência da Rússia para ajudar Trump a vencer a recente eleição presidencial.

"Tillerson tem mais tempo de relação com Vladimir Putin que qualquer outro americano, com exceção de Henry Kissinger", disse John Hamre, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington, que tem o executivo do petróleo como um de seus principais doadores.

E se Trump considera Tillerson um homem dinâmico e capaz de obter resultados, críticos, que vão de pesos pesados como o senador conservador John McCain a ativistas do meio ambiente, têm uma longa lista de preocupações.

Uma das principais críticas é relativa ao fato de um empresário do setor do petróleo ser indicado para um posto chave nas negociações de acordos sobre as mudanças climáticas.

McCain disse na segunda-feira que os laços de Tillerson com Putin são "uma fonte de preocupação".

"Tenho que examinar. Vladimir Putin é um bandido, um valentão e um assassino, e qualquer um que o descreva como algo diferente está mentindo", afirmou McCain.

- Ordem da Amizade -Tillerson e Putin se conheceram na década de 1990, quando o engenheiro americano supervisionava um projeto da Exxon na ilha russa de Sakhalin. O relacionamento ganhou força depois que Boris Yeltsin renunciou ao poder em 1999 e Putin assumiu o Kremlin.

A relação foi coroada com um acordo histórico assinado em 2011 entre a Exxon e a gigante russa da energia Rosneft para a exploração e perfuração no Ártico russo e na Sibéria.

O acordo foi avaliado inicialmente em 3,2 bilhões dólares, mas pode gerar até 500 bilhões de dólares de acordo com o tamanho das descobertas.

Mas todo o acordo se encontra congelado em consequência das sanções econômicas adotadas por Washington contra Moscou.

Tillerson, que foi condecorado com a Ordem Russa da Amizade, expressou toda sua revolta com as sanções durante uma reunião com investidores em 2014.

"Sempre tentamos estimular as pessoas que tomam estas decisões a que considerem o dano colateral muito amplo e quem estão realmente afetando com as sanções", disse.

- Objetivos diplomáticos -Nascido em Wichita Falls, Texas, Tillerson passou toda a carreira na Exxon, onde começou a trabalhar em 1975. Se tornou CEO da empresa em 2006 e tinha previsão de aposentadoria para março.

Sua visão da política externa é praticamente desconhecida, exceto o fato de que é um defensor do livre comércio.

Entre os temas fundamentais que o aguardam como secretário de Estado está o acordo com o Irã sobre sua política nuclear.

Durante a campanha, Trump defendeu a ideia de uma revisão dos acordos assinados em 2015 entre o Irã e o grupo formado por Estados Unidos, China, Rússia, Alemanha, França e Reino Unido.

Também terá que monitorar a aplicação de sanções contra a Rússia, administrar as divergências com a China e o interminável conflito na Síria.

Suas ações a respeito do aquecimento global também serão acompanhadas com atenção, depois que se negou a cortar investimentos na busca por novas áreas de exploração de petróleo.

Vários estados, incluindo Nova York, estão processando a ExxonMobil com a ajuda de ativistas ambientais por aparentemente enganar o público sobre a responsabilidade dos combustíveis fósseis no aquecimento global.

A nomeação é "incompreensível", afirmou o grupo ambientalista 350.org.

A posição de Tillerson como acionista da Exxon, onde possui quase 150 milhões de dólares em títulos da empresa, também apresenta um conflito de interesses, já que suas decisões como chefe da diplomacia poderiam afetar o preço das ações.

Caso as sanções contra a Rússia sejam eliminadas, as ações da ExxonMobil devem aumentar de modo explosivo.

lo/fp

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