Rússia anuncia fim de combates e saída de rebeldes de Aleppo

Nações Unidas, Estados Unidos, 13 dez 2016 (AFP) - O Exército sírio paralisou suas operações em Aleppo nesta terça-feira, com o objetivo de permitir que combatentes opositores e suas famílias deixem a cidade, agora sob o total controle das forças do regime.

Os rebeldes "começaram a ir embora e, depois disso, cessaram as operações militares", declarou aos jornalistas o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin.

"O resultado é - se tudo estiver bem - que isso significa que os combates no leste de Aleppo acabaram".

Mas jornalistas da AFP no bairro em poder das forças do regime onde deveria ocorrer a evacuação não observaram qualquer movimento até às 22H00 local (18H00 Brasília).

Numerosos ônibus destinados à evacuação permaneciam estacionados na zona do bairro de Salahadin.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), a evacuação começará às 05H00 local (01H00 Brasília) desta quarta-feira.

Diante do Conselho de Segurança, o embaixador russo informou que "os combatentes e os membros de suas famílias, assim como os feridos, passam atualmente por corredores em direção aos locais que escolheram, entre eles Idleb".

O acordo sobre esta evacuação, "concluído há algumas horas, está sendo aplicado (...) e as pessoas partem", afirmou Churkin. "Na última hora cessaram as atividades militares em Aleppo oriental".

A Turquia confirmou a conclusão do "acordo de cessar-fogo" para permitir a "evacuação de rebeldes e civis".

"Podemos afirmar que há um cessar-fogo na cidade após discussões entre o Exército russo e a oposição no leste de Aleppo", declarou Huseyin Muftuoglu, porta-voz do ministério turco das Relações Exteriores.

Um responsável do governo turco precisou que "civis e rebeldes moderados com armas leves puderam se retirar em segurança para Idleb", a uma dezena de quilômetros a oeste de Aleppo.

O acordo para evacuar "moradores e rebeldes com suas armas leves dos bairros sitiados" foi concluído, "impulsionado por Rússia e Turquia", confirmou o líder rebelde Yasser al-Yussef, do escritório político do grupo Nuredin al-Zinki.

"A evacuação de feridos e civis será feita primeiro. Depois, os rebeldes sairão com suas armas leves. Os que saírem escolherão ir para o oeste da província de Aleppo, ou para a província (vizinha) de Idleb", em regiões sob controle insurgente.

O governo americano pediu o envio de observadores internacionais a Aleppo para supervisionar a retirada dos civis, após informes de que as forças do governo sírio teriam cometido execuções nas batidas casa a casa.

Em uma reunião de emergência do Conselho de Segurança, a embaixadora americana na ONU, Samantha Power, disse que os observadores "supervisionariam a evacuação segura das pessoas que quiserem ir embora, mas que, justificadamente, temem ser abatidos na rua ou enviados para alguns dos 'gulags' de Assad".

A ONU manifestou grande preocupação com os informes, segundo os quais pelo menos 82 pessoas, entre elas 11 mulheres e 13 crianças, foram assassinadas em quatro bairros de Aleppo.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, exigiu de Damasco e de seus aliados Rússia e Irã "permitam urgentemente aos civis que restam sair da área urbana", assim como o fornecimento de ajuda aos civis na cidade.

A Síria rejeitou que funcionários da ONU em Aleppo pudessem supervisionar as operações de suas forças, mas Ban denunciou que milhares de civis estavam em perigo.

- Destino selado -Submetidos a quatro semanas de intensos bombardeios aéreos e ao fogo da artilharia, os rebeldes perderam seu antigo reduto do leste de Aleppo e estavam encurralados, junto com dezenas de milhares de civis, principalmente no bairro de Al-Mashad.

Nesta terça-feira pela manhã, o Exército sírio e as forças estrangeiras realizaram operações a procura de rebeldes, informou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

"Há dezenas de corpos nas ruas por causa dos intensos bombardeios das forças do regime. Não temos nenhuma confirmação das execuções", declarou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman.

A TV estatal síria exibiu imagens dos bairros tomados dos insurgentes: uma paisagem de desolação, ruínas e escombros sob a garoa.

Centenas de civis abandonavam o local pouco a pouco em uma fila interminável, alguns protegidos por casacos, ou cobertores, acompanhados de seus filhos pequenos e com seus pertences em sacolas de plástico.

A conquista total de Aleppo, dividida desde 2012, permite ao governo de Bashar al-Assad controlar as cinco maiores cidades da Síria, junto com Homs, Hama, Damasco e Latakia. Uma conquista que não teria sido possível sem a ajuda de Moscou, aliado de Damasco e ativo na Síria desde setembro de 2015.

Em quatro semanas, a operação militar em Aleppo custou a vida de mais de 463 civis no leste da cidade, segundo o OSDH, enquanto 130 civis morreram no oeste da cidade. Desde 15 de novembro, mais de 130 mil civis fugiram dos bairros do leste.

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