Assessor de Temer renuncia após ser mencionado em delação da Odebrecht

Rio de Janeiro, 14 dez 2016 (AFP) - Um assessor do presidente brasileiro, Michel Temer, renunciou ao cargo nesta quarta-feira (14), após ter sido identificado por um executivo da Odebrecht como mediador de doações ilegais de campanha para o atual chefe de Estado, no âmbito do esquema de corrupção na Petrobrás.

Em uma carta enviada a Temer e divulgada pelo Palácio do Planalto, o advogado José Yunes, amigo de Temer há cinco décadas, nega terminantemente as acusações e lamenta ter seu nome "atirado ao lamaçal por uma delação infame, feita por alguém que não conheço".

Assim, "para preservar minha dignidade (...), renuncio, Senhor Presidente, ao honroso cargo de assessor da Presidência", declarou.

Um ex-vice-presidente das relações institucionais da construtora, Claudio Melo Filho, afirmou que em 2014 a empresa doou 10 milhões de reais para campanhas do PMDB de Temer.

Desta soma, 4 milhões de reais foram entregues em dinheiro vivo no escritório de Yunes em São Paulo, de acordo com a testemunha, segundo a imprensa local.

Melo Filho é um dos 77 executivos da Odebrecht que chegaram a um acordo de "delação premiada" com a justiça em troca de uma redução das penas que eles receberiam.

Sua confissão envolve Temer, vários de seus ministros e legisladores de primeiro plano de sua base de governo. Todos negam qualquer ato ilícito.

Desde que substituiu a presidenta de esquerda Dilma Rousseff (afastada de seu cargo em maio e destituída em agosto), Temer já perdeu sete proeminentes figuras de sua administração, seis ministros e agora o seu assessor, por questões internas ou acusações de corrupção.

O escândalo da Petrobras, que veio a tona em 2014 a partir da Operação Lava Jato, revelou uma vasta rede de propinas pagas a partidos e a políticos por grandes construtoras, para ganhar licitações na estatal petroleira e obter a aprovação de leis e decretos favoráveis a seus negócios.

Dezenas de empresários e dirigentes de quase todo o ambiente político foram condenados e centenas são investigados, razão pela qual se tornou a maior operação contra a corrupção na América Latina.

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